Leilão de reserva de capacidade contrata 501 MW em termelétricas com deságio médio de 50% e economia de R$ 1,83 bilhão
Certame organizado por Aneel, MME e CCEE fechou três rodadas e garantiu ofertas de térmicas a óleo e biodiesel com preços bem abaixo dos tetos
O leilão de reserva de capacidade LRCAP nº 3, realizado na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica em São Paulo, contratou 501 megawatts de termelétricas e gerou uma economia estimada em R$ 1,83 bilhão para os consumidores, segundo balanço divulgado pelos organizadores.
O certame, conduzido pela Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel em parceria com o Ministério de Minas e Energia e a CCEE, começou às 10h e encerrou as negociações por volta das 13h50. Ao todo, 38 projetos se inscreveram, somando 5.890 megawatts ofertados, com 18 projetos de termelétricas a óleo e 20 a biodiesel.
O leilão registrou um deságio médio de 50,14%, ou seja, as ofertas vencedoras ficaram em média metade abaixo dos preços-teto estabelecidos. Enquanto estiverem em operação, as usinas contratadas terão custo estimado em R$ 979 milhões, de acordo com os dados do certame.
Detalhes das três rodadas
A disputa foi organizada em três rodadas distintas:
- Primeira rodada: contratação de termelétricas a óleo combustível e óleo diesel para fornecimento por três anos, com início em 1º de agosto de 2026. O preço fechado foi de R$ 899,65 mil por megawatt por ano, o que representa um deságio de 56% em relação ao preço-teto de R$ 1,6 milhão por megawatt por ano.
- Segunda rodada: novamente para térmicas a óleo combustível e óleo diesel, com contratos de três anos a partir de 1º de agosto de 2027. O valor contratado foi de R$ 860,8 mil por megawatt por ano, também abaixo do preço-teto de R$ 1,6 milhão.
- Terceira rodada: contratação de termelétricas a biodiesel para fornecimento por 10 anos, com início em 1º de agosto de 2030. O preço obtido foi de R$ 787,15 mil por megawatt por ano, ante preço-teto de R$ 1,75 milhão.
Comparação com leilão anterior
Este leilão ocorre uma semana após o LRCAP nº 02, que contratou potência de usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão e gás natural. O certame anterior negociou oito produtos em sete rodadas e contratou 100 usinas que disponibilizarão 18,997 gigawatts, movimentando R$ 515,7 bilhões em receita total.
O LRCAP nº 02 registrou um deságio de 5,52%, apontado como uma economia superior a R$ 33,64 bilhões ao longo dos contratos, e atraiu cerca de R$ 64,5 bilhões em investimentos. Somados, os dois leilões deste ano contrataram aproximadamente 19,5 gigawatts de potência, com predominância de usinas a combustíveis fósseis.
Impactos e principais observações
Para o curto prazo, os resultados do leilão representam alívio para consumidores, pela redução de custos trazida pelos deságios expressivos. No entanto, especialistas e setores ambientais destacam que a maior parte da capacidade contratada concentra-se em fontes fósseis, o que amplia a dependência de combustíveis emissivos no parque de geração.
Os contratos agora firmados passam a integrar a estratégia de garantia de capacidade do sistema elétrico, com fornecimentos escalonados entre 2026 e 2030 conforme os prazos definidos nas três rodadas do certame.





