Boulos chama aumento do diesel de “banditismo”, anuncia operações em 400 postos e MP que pode cassar registro de transportadoras
Ministro confirmou encontro com líderes de caminhoneiros, afirmou que fiscalização pode levar a prisões e enalteceu Medida Provisória que endurece punições para quem descumprir piso do frete
O ministro Wellington Boulos classificou como “banditismo” o aumento do preço do diesel nas bombas e afirmou que o governo adotou uma série de medidas para conter uma suposta escalada especulativa dos combustíveis. Em entrevista, ele informou que ações da Polícia Federal (PF) e de órgãos de defesa do consumidor têm atuado diariamente, com operações em cerca de 400 postos nas últimas 48 horas, e que o próximo passo pode ser a prisão de representantes de distribuidoras ou postos que pratiquem irregularidades.
Encontro com caminhoneiros e risco de paralisação
Boulos confirmou um encontro na próxima quarta-feira (25) no Palácio do Planalto com lideranças do movimento dos caminhoneiros. A categoria chegou a ameaçar uma greve por conta do aumento do combustível, mas em assembleia realizada no Porto de Santos, na quinta-feira (19), os representantes decidiram por não cruzar os braços após compromisso do governo em atender demandas.
“Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro”, afirmou o ministro. Segundo ele, esse diálogo e a atuação enérgica do governo foram decisivos para a suspensão da ideia de paralisação.
Fiscalização intensa e possibilidade de prisão
O ministro detalhou que operações de fiscalização foram realizadas em cerca de 400 postos nas últimas 48 horas, envolvendo também distribuidoras. As ações incluem lacração de estabelecimentos e aumento de multas. Boulos disse que, caso se confirmem práticas ilícitas ou especulação coordenada, a investigação pode resultar em prisões de responsáveis pelas empresas.
Essas medidas fazem parte do esforço do governo para evitar que a alta do preço internacional do petróleo se traduza em um choque de inflação doméstica, disse o ministro.
Piso do frete e MP 1.343/2026
Outra frente anunciada foi a publicação da Medida Provisória 1.343/2026, que pune transportadoras que descumprirem o piso do frete negociado com os caminhoneiros. Boulos criticou o comportamento de grandes empresas que, segundo ele, preferem pagar multas ao cumprir o piso mínimo: “Não dá para as grandes empresas não cumprirem o piso mínimo”, afirmou.
O ministro explicou que as multas aplicadas ao setor ultrapassaram R$ 400 milhões nos últimos três meses, mas, diante da reincidência, o governo decidiu endurecer a sanção: a MP prevê, em caso de repetição, a cassação do registro de funcionamento das empresas infratoras.
Impacto da guerra no preço do petróleo e medidas econômicas
No cenário internacional, Boulos citou a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, como fator que desencadeou um choque global de preços do petróleo. O Brent, referência internacional, era negociado em torno de US$ 110 por barril na sexta-feira citada pelo governo — valor que, convertido, foi informado como próximo de R$ 580 por barril no período. Antes dos ataques, a cotação estava bem abaixo, “pouco acima de R$ 70”, segundo a nota oficial.
O Irã tem retaliado com ataques a países vizinhos e ameaças ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A tensão elevou as cotações e pressionou a oferta global; autoridades iranianas chegaram a alertar para a possibilidade de o petróleo chegar a US$ 200 o barril.
No mercado interno, a Petrobras aplicou um reajuste de R$ 0,38 no diesel no sábado (14). A presidente da estatal, Magda Chambriard, e integrantes do governo afirmaram, porém, que o impacto nas bombas foi suavizado graças a medidas de desoneração fiscal implementadas pela União. O Executivo também propôs aos estados a redução do ICMS incidente sobre o diesel importado para tentar conter a alta nas bombas.
Com a combinação de fiscalização intensiva, medidas econômicas e aperto regulatório sobre transportadoras, o governo busca reduzir efeitos sobre a inflação e evitar desabastecimento, enquanto negocia diretamente com representantes dos caminhoneiros para manter a categoria mobilizada e evitar paralisações.





