Mercado prevê corte de 0,25 ponto na Selic esta semana; alta do petróleo e reavaliação da inflação mudam cenário até 2029
Boletim Focus mostra revisão na expectativa dos analistas: corte mais tímido, elevação da projeção da taxa básica para 2026 e ajuste nas previsões de inflação
Por que o corte deve ser menor (0,25 p.p.)
Na última semana o mercado esperava um corte de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, mas as novas informações sobre inflação e os efeitos do conflito no Oriente Médio levaram a uma revisão. A alta do preço do petróleo, relacionada à guerra no Irã, pressionou as expectativas de inflação futura, reduzindo o espaço para um afrouxamento mais intenso da política monetária.
Com isso, a maioria dos analistas agora aposta em uma redução mais conservadora de 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ainda nesta semana.
O que mudou nas projeções do mercado
O boletim Focus desta edição trouxe ajustes nas estimativas para a trajetória da Selic e para a inflação:
- Projeção da Selic até o fim de 2026 foi elevada de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano, indicando expectativas de cortes menos profundos ao longo do horizonte.
- Para 2027 e 2028, a previsão é de Selic a 10,5% e 10% ao ano, respectivamente; em 2029 a expectativa é de 9,5% ao ano.
- A previsão do IPCA (inflação oficial) para 2026 subiu de 3,91% para 4,1%. Para 2027 manteve-se em 3,8%, e para 2028 e 2029 a projeção é de 3,5% em ambos os anos.
Inflação recente e margem para a meta
Em fevereiro, o IPCA registrou alta de 0,7% no mês, acelerando em relação a janeiro (0,33%). O resultado elevou o acumulado em 12 meses para 3,81%. Embora a previsão para 2026 tenha subido, ela ainda está dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central: meta central de 3,0% com tolerância de +/- 1,5 ponto percentual (ou seja, intervalo de 1,5% a 4,5%).
Impactos esperados para crédito, atividade e câmbio
O comportamento da Selic afeta diretamente o custo do crédito e o incentivo ao consumo e à produção. Quando o Copom eleva a taxa, o crédito tende a ficar mais caro, estimulando a poupança e freando a demanda. Já cortes na Selic tornam o crédito mais barato, impulsionam consumo e produção, mas reduzem o controle sobre a inflação.
Além dos movimentos da Selic, os bancos consideram risco de inadimplência, margens e custos administrativos ao definir juros ao consumidor, por isso a mudança na taxa básica nem sempre se traduz imediatamente em queda nas taxas cobradas das famílias e empresas.
Projeções para PIB e dólar
O Focus também ajustou levemente as previsões para a atividade econômica e para a taxa de câmbio:
- Projeção de crescimento do PIB para 2026 subiu de 1,82% para 1,83%. Para 2027 a estimativa ficou em 1,8%, e para 2028 e 2029 o mercado espera expansão de 2,0% em cada ano.
- Em 2025 o IBGE registrou crescimento do PIB de 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária.
- A previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,40 ao fim deste ano e R$ 5,47 ao fim de 2027.
Em resumo, o mercado sinaliza um corte da Selic mais modesto nesta semana — 0,25 ponto percentual — enquanto reavalia riscos inflacionários impulsionados por choques externos, como a alta do petróleo, e atualiza sua visão sobre a trajetória da taxa básica e dos principais indicadores macroeconômicos para os próximos anos.





