Petrobras afirma que guerra no Oriente Médio elevou preço do diesel; medidas do governo reduziram alta de R$ 0,70 para R$ 0,06 por litro
Executiva diz que suspensão do PIS/Cofins e subvenção limitaram reajuste; empresa pede que postos não pratiquem aumentos abusivos
A Petrobras atribuiu a elevação observada no preço do diesel à instabilidade causada pela guerra no Oriente Médio, mas ressaltou que as ações do governo federal amenizaram o impacto para o mercado interno e para o consumidor.
O efeito das medidas federais
Segundo a executiva Magda Chambriard, sem as medidas adotadas pela União o aumento no preço do diesel precisaria ser de R$ 0,70 por litro — montante que seria repassado integralmente às distribuidoras. Com a suspensão temporária das alíquotas do PIS e da Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, o Ministério da Fazenda estima um alívio de R$ 0,32 por litro.
Além disso, o governo editou medida provisória prevendo subvenção ao diesel para produtores e importadores. Na prática, combinando as iniciativas, o acréscimo foi reduzido para R$ 0,06 por litro, informou Chambriard.
“O governo agiu tempestivamente, transformando um acréscimo de R$ 0,70 em um acréscimo irrisório, praticamente nenhum, de R$ 0,06”, afirmou a executiva.
Impacto na bomba e mistura com biodiesel
Chambriard destacou que o efeito desses R$ 0,06 tende a ser ainda menor ao consumidor final, porque o diesel comercializado já é misturado com biodiesel. Ainda assim, o preço pago nas bombas depende das decisões de cada posto de combustíveis.
Mesmo sem reajuste oficial na gasolina, relatos de consumidores apontam que alguns postos vêm elevando preços. A Petrobras pediu para que não ocorram aumentos abusivos e alertou que as entregas da estatal estão em dia e que não houve aumento de preço por parte da companhia.
“Esperamos que, nesse momento difícil para a sociedade brasileira e mundial, haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, disse a executiva, acrescentando que órgãos de fiscalização devem checar e agir em casos de prática abusiva.
Limitação da atuação da Petrobras na revenda
Chambriard reforçou que a Petrobras tem atuação limitada na cadeia de distribuição de combustíveis, pois não opera mais a revenda final nos postos. A BR Distribuidora foi privatizada para a Vibra Energia no governo anterior, com autorização para manter a marca BR até 28 de junho de 2029. A venda incluiu também um termo de non‑compete, impedindo a Petrobras de atuar diretamente na revenda.
Apelo aos estados para reduzir ICMS
A executiva fez um apelo aos governos estaduais para que reduzam o ICMS sobre combustíveis, em sintonia com a ação do governo federal. Segundo ela, a guerra já tem provocado aumentos que impactam a arrecadação dos entes federados, elevando valores acima do previsto.
“Cabe também a redução do ICMS. Eu espero que os estados deem sua contribuição para esse enfrentamento”, declarou Chambriard, pedindo colaboração em benefício da sociedade brasileira.
Colaborou Bruno de Freitas Moura.





