Fazenda eleva projeção da inflação para 2026 após alta do petróleo; barril vai a US$73,09 e pressiona preço dos combustíveis
SPE ajusta preço médio do petróleo para 2026, prevê repasse parcial aos consumidores e mantém crescimento em 2,3% — câmbio mais favorável ameniza impacto
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atualizou as projeções macroeconômicas para 2026 em função da alta esperada do petróleo. A estimativa do preço médio do barril subiu para US$ 73,09, contra US$ 65,97 anteriormente, aumento de cerca de 10,8%.
Alta do petróleo e cálculo do repasse
O relatório considera que parte da elevação dos preços nas refinarias será repassada ao consumidor final. Na simulação da SPE, o repasse do preço praticado pelas distribuidoras para o valor final dos combustíveis varia entre 20% e 30%. Em meio a esse cenário, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 por litro do diesel nas distribuidoras.
Impacto sobre a inflação e influência do câmbio
Com a revisão, a Fazenda elevou a projeção da inflação para 2026 — o relatório atribui parte dessa pressão ao avanço do petróleo, que afeta os combustíveis. Ao mesmo tempo, a estimativa da cotação média do dólar em 2026 foi reduzida de R$ 5,43 para R$ 5,32, o que ajuda a mitigar parte do efeito inflacionário, já que um real mais forte limita o repasse integral da alta internacional.
Efeito sobre crescimento e cenários de risco
Apesar do choque de preços, o governo manteve a previsão de crescimento do PIB em 2,3% para 2026. A SPE observa que a valorização do petróleo pode estimular a atividade econômica brasileira, na medida em que o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados. Em cenários de choque mais intenso — por exemplo, relacionados a um conflito prolongado no Oriente Médio envolvendo o Irã — as simulações indicam que o PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora isso venha acompanhado de maior pressão inflacionária. O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou que projeções mais adversas dependem de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.
Medidas do governo e impacto sobre o diesel
As projeções divulgadas ainda não incorporam integralmente medidas que o governo anunciou para conter o impacto da alta dos combustíveis. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o foco principal é o diesel, devido ao seu efeito sobre os custos de transporte e escoamento da produção agrícola. O governo estima que as ações podem evitar um aumento de até R$ 0,64 por litro do diesel nas bombas — valor que seria sentido diretamente pelos consumidores e pela cadeia de produção.
Em suma, a elevação do preço do petróleo projetada pela SPE torna o cenário inflacionário mais desafiador para 2026, mas fatores como um câmbio médio mais baixo e medidas governamentais podem atenuar parte do choque sobre os preços ao consumidor.





