O Desafio da Parentalidade na Carreira Científica
Apesar de o Brasil formar mais doutoras do que doutores, mulheres ainda são minoria em posições de docência e recebem menos bolsas de produtividade. Esse fenômeno, conhecido como ‘efeito tesoura’, afeta ainda mais as mães, que enfrentam dificuldades acrescidas para conciliar a carreira com a criação dos filhos. A pesquisadora Fernanda Staniscuaski, fundadora do movimento Parents in Science, destaca que a pausa na carreira devido à maternidade precisa ser reconhecida e acompanhada de condições favoráveis para o retorno.
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Dados Revelam a Desvantagem das Mães
Uma análise realizada pelo Parents in Science com dados de mil docentes de pós-graduação revelou que 66,1% das mães foram descredenciadas por perda de produtividade, contra 37,5% dos pais. Além disso, as mães enfrentam maior dificuldade para retornar ao sistema acadêmico após um descredenciamento. A pesquisa também aponta que raça e a presença de filhos com deficiência intensificam essas barreiras, tornando mulheres pretas, pardas e indígenas os grupos mais sub-representados.
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Coletivos e Políticas Públicas em Ação
Diante desse cenário, diversas iniciativas buscam soluções. O coletivo de mães da UFRJ auxiliou a assistente social Cristiane Derne a superar os desafios da graduação. Nacionalmente, o Atlas da Permanência Materna compilou políticas de universidades federais, mostrando que a assistência financeira é a medida mais comum, mas muitas vezes insuficiente. A oferta de cuidotecas (espaços para deixar os filhos) é rara, com apenas oito universidades oferecendo o serviço.
Avanços Legislativos e Editais Específicos
O Rio de Janeiro tem sido pioneiro com a aprovação da lei que institui o Marco Legal Mães na Ciência, que prevê que o trabalho de cuidado conte como pontuação em editais. A Faperj lançou o primeiro edital de financiamento exclusivo para mães cientistas, apoiando 134 pesquisadoras. Outras medidas incluem a avaliação curricular estendida para mães em editais gerais e a criação do programa Aurora pela Capes, que oferece bolsas para que professoras de pós-graduação gestantes ou mães agreguem pesquisadores de pós-doutorado às suas equipes. A legislação também avançou com a prorrogação de prazos para conclusão de cursos e a proibição de discriminação por maternidade em processos seletivos e bolsas.





