VPC20 substitui a VPC10 no calendário básico infantil
O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um passo importante na proteção contra a doença pneumocócica com a introdução da vacina 20-valente (VPC20) no calendário básico de vacinação infantil. A medida visa frear o recente crescimento de casos de meningite e outras infecções graves causadas pela bactéria *Streptococcus pneumoniae*, especialmente aquelas provocadas por sorotipos não cobertos pela vacina 10-valente (VPC10), que foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2010.
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Apesar da VPC10 ter sido eficaz na redução de 60% dos casos de doença meningocócica e 65% de meningite pneumocócica em crianças menores de dois anos, dados recentes indicam um aumento na incidência. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. Esse número saltou para 211,3 casos anuais entre 2022 e 2024.
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Substituição de sorotipos e a importância da VPC20
Flávia Bravo, Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que esse fenômeno é uma consequência da própria efetividade da vacinação. “A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de ‘replacement’: você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço”, afirma Bravo. Dados do Ministério da Saúde revelam que quase 40% dos casos graves entre 2018 e 2023 foram causados por sorotipos não protegidos pela VPC10, mas incluídos na VPC20.
“Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem”, complementa a especialista.
Proteção ampliada para grupos de risco e esquema vacinal
As vacinas pneumocócicas conjugadas, como a VPC10 e a VPC20, não só evitam o desenvolvimento da doença, mas também impedem que a bactéria se instale na nasofaringe, reduzindo a transmissão e promovendo proteção indireta à população. O PNI já oferece vacinas mais abrangentes, como a VPC13 e a VPP23, para públicos específicos com condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade. Esses imunizantes também serão gradualmente substituídos pela VPC20.
Grupos de alto risco incluem pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados, imunodeficientes, pessoas com doenças crônicas (renais, pulmonares, cardíacas, hepáticas), asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de Down e prematuros. O esquema vacinal para bebês prevê duas doses aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos com vacinação incompleta devem atualizar a caderneta.
Transição vacinal e contraindicações
Durante o período de transição, a aplicação da VPC20 ocorrerá de forma escalonada. Crianças que iniciarem o esquema com a VPC20 receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Aquelas que já receberam a primeira dose da VPC10 serão vacinadas com a VPC20 na segunda dose e no reforço. Crianças que completaram o esquema básico de duas doses com a VPC10 também receberão uma dose de reforço com a VPC20.
A vacina é contraindicada apenas para pessoas com histórico de alergia grave a algum componente da fórmula ou que apresentaram reações alérgicas severas em doses anteriores. Recomenda-se também que indivíduos com febre aguardem a melhora para serem imunizados.





