A indústria do tabaco mira nos jovens com produtos atraentes
O Brasil enfrenta um novo desafio na luta contra o tabagismo: a indústria da nicotina, que utiliza estratégias cada vez mais sofisticadas para atrair adolescentes e jovens. O diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, ressaltou a urgência em combater essa realidade, especialmente em torno de produtos com sabores e aromas. “Um produto que mata um em cada dois usuários, isso não é um produto que podia existir”, declarou Gil em um evento recente.
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Dispositivos Eletrônicos e Aromas: Uma Armadilha para a Juventude
O Ministério da Saúde tem acendido um alerta sobre o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como vapes e pods. Esses produtos, que adicionam sabores doces, refrescantes, cheiros e cores, tornam a iniciação ao tabaco mais “atrativa e palatável” para o público jovem. A campanha deste ano, com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, foca nas táticas da indústria fumageira para capturar novos consumidores, incluindo crianças e adolescentes.
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Dados Alarmantes e Custos para o Sistema de Saúde
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), aproximadamente 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco no continente americano, e dois milhões utilizam cigarros eletrônicos. No Brasil, um estudo do INCA aponta que o país pode gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo. A secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, alerta para a transição dos cigarros tradicionais para “drogas com mais tecnologia, nicotina sintética, sais de nicotina”, aumentando a atratividade para as futuras gerações.
Regulamentação e a Luta contra a Indústria
Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso de aditivos que conferem sabor, aroma, cores e outras propriedades que aumentam a palatabilidade em produtos derivados do tabaco, com o objetivo de reduzir o apelo. No entanto, a indústria fumageira contesta essa norma judicialmente. Um estudo recente publicado pela revista científica Tobacco Control, lançado pelo INCA, refuta o argumento da indústria, mostrando que metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não continha os aditivos vetados. “O que a gente tá mostrando é que há viabilidade logística, e há viabilidade de produção, o que não há é interesse mercadológico das indústrias de tabaco”, defende o pesquisador André Zsklo. Roberto Gil reforça a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir a produção desses aditivos para consolidar a norma nacional.
Prevenção é a Chave e a Saúde dos Jovens em Risco
A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, enfatiza que prevenir a iniciação é uma prioridade. “Não há dispositivo eletrônico para fumar seguro”, alerta, destacando a vulnerabilidade de adolescentes e jovens em fase de construção de identidade e pertencimento social, fortemente influenciados pelas redes sociais. O tabaco é um fator de risco para as principais Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. O Ministério da Saúde, por meio do INCA, coordena o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) para combater essa epidemia.





