Principais Causas e a Importância do Cuidado Integral
Apesar dos avanços na saúde materna, o Brasil ainda registra centenas de mortes de mulheres anualmente devido a complicações na gravidez, parto e puerpério. As causas obstétricas diretas, que representam 66% dos óbitos, são dominadas por síndromes hipertensivas (como pré-eclâmpsia e eclâmpsia), hemorragias, infecções puerperais e complicações decorrentes de abortos. A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, grávida de 18 semanas e com histórico de hipertensão e diabetes gestacional, exemplifica a importância do acompanhamento contínuo e personalizado, recebendo orientações e sentindo-se segura na Maternidade-Escola UFRJ.
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O Papel Crucial da Equipe Multidisciplinar e da Enfermagem
A atuação de uma equipe multiprofissional é fundamental para garantir o atendimento adequado às gestantes e puérperas. O enfermeiro obstétrico Renné Costa destaca a importância da colaboração entre diferentes especialidades, todas focadas no bem-estar da mãe e do bebê. Costa relata experiências positivas no Sistema Único de Saúde (SUS), onde, com a autonomia dada à enfermagem obstétrica para assistir partos de baixo risco, conseguiu expandir significativamente o número de partos realizados e, notavelmente, não registrou óbitos maternos ou infantis em sua atuação.
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Atenção Indispensável no Período Pós-Parto (Puerpério)
A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi ressalta a criticidade do período pós-parto, o puerpério, para a redução da mortalidade materna. Muitas vezes, a mulher recebe menos atenção da rede de saúde e da família após deixar a maternidade, o que pode levar ao diagnóstico tardio de complicações. Sinais de alerta como sangramento excessivo, febre, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa, alterações visuais e pressão alta persistente não devem ser naturalizados. A recomendação é que o retorno para consulta puerperal ocorra precocemente, idealmente nos primeiros sete a dez dias após o parto.
Saúde Mental no Pós-Parto e a Rede Alyne
A saúde mental no puerpério é outro ponto vital, segundo a Febrasgo. O sofrimento psíquico pode se manifestar de diversas formas, desde tristeza intensa e ansiedade até sintomas mais graves como ideação suicida ou psicose, exigindo atenção imediata. Em âmbito federal, o programa Rede Alyne, lançado em 2024, visa reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, com foco especial na redução de 50% para mulheres pretas. A iniciativa, que homenageia Alyne Pimentel, vítima de negligência médica, busca oferecer cuidado humanizado e integral, considerando as desigualdades étnico-raciais e regionais no Brasil, reestruturando a antiga Rede Cegonha.





