Pesquisa abrangente expõe a realidade complexa do envelhecimento no Brasil
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgou nesta terça-feira (26) os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil). Considerada uma das pesquisas mais completas sobre o tema no país, a iniciativa apresenta uma plataforma online com cerca de 100 indicadores que detalham a saúde e as condições de vida dos brasileiros com 60 anos ou mais. Os dados revelam que o envelhecimento no Brasil vai muito além da ausência de doenças, sendo fortemente influenciado por fatores urbanos, sociais e estruturais.
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Ameaças no cotidiano: Calçadas precárias e insegurança impactam a mobilidade e o bem-estar
Um dos achados alarmantes da pesquisa é que 42,7% dos idosos em áreas urbanas relatam medo de cair devido a problemas em calçadas e vias públicas. Esse receio é mais acentuado entre mulheres (50,5%) e aumenta com a idade, atingindo 63,1% daqueles com 80 anos ou mais. A insegurança na vizinhança também é uma preocupação significativa, com 12,1% dos idosos considerando suas áreas de moradia muito inseguras em relação à violência e criminalidade, o que representa cerca de 3,8 milhões de pessoas vivendo sob medo e vulnerabilidade. Maria Fernanda Lima-Costa, coordenadora do Elsi-Brasil, ressalta a urgência de políticas públicas para adaptar as cidades, garantindo acessibilidade, segurança e planejamento urbano inclusivo.
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Hipertensão e perda de funcionalidade: Desafios de saúde que demandam atenção
A hipertensão arterial sistêmica continua sendo uma condição de saúde predominante entre os idosos, afetando 34,4% da população com 60 anos ou mais, o que equivale a aproximadamente 11 milhões de brasileiros. A prevalência aumenta com a idade, chegando a 40,1% entre os mais de 80 anos. A pesquisa enfatiza a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar subdiagnóstico e complicações graves. Outro ponto crucial é a perda da capacidade funcional, com 20,4% dos idosos apresentando dificuldade em realizar atividades básicas da vida diária, como se vestir ou tomar banho. Essa limitação afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas, com maior incidência entre mulheres e idosos com 80 anos ou mais.
Redes de apoio e o papel do SUS: Fortalecendo o cuidado na terceira idade
A pesquisa também aponta fragilidades na rede de apoio aos idosos com dificuldades funcionais; apenas 37,9% recebem ajuda. Além disso, a falta de treinamento para cuidadores é evidente, com apenas 5,8% relatando ter recebido capacitação. Os resultados reafirmam o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como principal provedor de cuidados para a população idosa, com cerca de dois terços utilizando o SUS como única fonte de atenção. A Estratégia Saúde da Família (ESF) também se destaca, vinculando 69,2% dos idosos. A plataforma do Elsi-Brasil, alinhada à Década do Envelhecimento Saudável da ONU, visa fornecer dados para monitoramento e ações eficazes diante do envelhecimento populacional brasileiro.





