Arrecadação federal recorde: R$ 222,1 bilhões em fevereiro impulsionados por IOF, IRRF e renda de apostas — impacto na meta fiscal 2026
Receita federal soma R$ 222,1 bilhões em fevereiro; altas em tributos financeiros e previdenciários fortalecem caixa do governo no início do ano
A arrecadação federal atingiu R$ 222,1 bilhões em fevereiro, o maior registro para o mês segundo a Receita Federal. O resultado foi puxado por tributos ligados a operações financeiras, maior cobrança sobre apostas online e aumento na contribuição previdenciária, enquanto impostos relacionados à importação recuaram.
IOF e IRRF-Capital: mudanças legislativas e desempenho no bimestre
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) somou R$ 8,7 bilhões em fevereiro, com alta real de 35,73% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro e fevereiro, o IOF totalizou R$ 16,8 bilhões, aumento real de 41,83%. A Receita atribui o salto a alterações na legislação que ampliaram a incidência do imposto sobre novas operações financeiras.
No bimestre, o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital (IRRF-Capital) cresceu 26,45%, alcançando R$ 26,4 bilhões. O desempenho foi influenciado por aplicações em renda fixa e pela tributação de Juros sobre Capital Próprio (JCP). O Congresso aprovou o aumento da alíquota sobre JCP de 15% para 17,5% no fim do ano passado, mas o impacto na arrecadação só começará a aparecer a partir de abril.
Previdência: massa salarial e reoneração elevam receita
A arrecadação da Previdência Social alcançou R$ 60,5 bilhões em fevereiro, crescimento real de 5,68% ante fevereiro de 2025. O avanço reflete aumento de 3,89% na massa salarial e elevação de 7,98% na arrecadação do Simples Nacional. Houve também crescimento de 23,42% nas compensações tributárias com débitos de receita previdenciária em relação a fevereiro de 2025 e efeitos da reoneração escalonada da contribuição patronal dos municípios e da folha, vigente desde janeiro de 2025.
No bimestre, a arrecadação previdenciária somou R$ 124,4 bilhões, alta real de 5,58%.
Apostas disparam; IPI e imposto de importação recuam
Tributos sobre apostas online e jogos de azar totalizaram R$ 2,5 bilhões no acumulado do ano, contra R$ 756 milhões no primeiro bimestre do ano passado — salto de 236% que a Receita associa à regulamentação e à ampliação da cobrança sobre as chamadas “bets”.
Em sentido oposto, receitas ligadas à importação recuaram: IPI e Imposto de Importação caíram 10,37% no bimestre, descontada a inflação, em comparação com janeiro e fevereiro de 2025. A queda foi atribuída à redução do volume de importações em dólar e à desvalorização da taxa de câmbio na comparação anual.
Consequências para a meta fiscal
Os resultados reforçam o caixa do governo no início do ano e ajudam no cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2026, que prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, excluindo precatórios e despesas fora do arcabouço fiscal. As regras fiscais determinam uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central; dessa forma, o governo está autorizado a obter resultado primário zero até superávit de R$ 68,6 bilhões em 2025.
Analistas apontam que a combinação de receitas extraordinárias — como as relacionadas a apostas e maior incidência do IOF — e a trajetória da atividade econômica serão decisivas para a manutenção do desempenho fiscal ao longo de 2026.




