Policial Rodoviário Federal invade casa e mata comandante da Guarda Municipal de Vitória em feminicídio planejado; autor se suicida
Dayse Mattos, primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória, foi morta a tiros pelo namorado, policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza; governo e prefeitura decretam luto de três dias
Como ocorreu o crime
A comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), Dayse Barbosa Mattos, de 38 anos, foi assassinada com tiros na madrugada desta segunda-feira (23). Segundo a investigação, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza planejou a ação, entrando na residência da vítima após subir em uma escada até a marquise e arrombar a porta com ferramentas levadas por ele.
As apurações iniciais indicam que Dayse dormia quando foi surpreendida e atingida por cinco disparos na cabeça. Em seguida, o autor atirou contra si mesmo e morreu no local. A vítima deixa uma filha de sete anos.
Perfil das vítimas e histórico do relacionamento
Dayse Mattos era considerada uma figura de destaque na segurança pública de Vitória e havia assumido recentemente o comando da corporação, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. O autor, Diego Oliveira de Souza, era lotado na Polícia Rodoviária Federal em Campos dos Goytacazes (RJ).
Autoridades e familiares relatam que o relacionamento era conturbado e marcado por episódios de violência. O pai de Dayse afirmou ter presenciado agressões e disse que uma vez interveio quando encontrou o homem tentando enforcar a filha. Não havia registro formal de denúncias anteriores contra o agressor, segundo a família.
Investigação e posicionamento das autoridades
O delegado-chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa, Fabrício Dutra, afirmou que há indícios de que o crime foi premeditado: “Ele foi com a finalidade de cometer o feminicídio. Ele levou os materiais para poder entrar na residência e poder subir na marquise. Tudo indica que ela estava deitada, dormindo, quando ele efetuou os disparos, sem possibilidade de reação”.
A titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, delegada Raffaella Aguiar, declarou que as investigações apontam que Diego não aceitava o término do relacionamento e o descreveu como “possessivo e extremamente controlador”.
Repercussão institucional e medidas adotadas
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou nota de pesar e ressaltou que a morte de Dayse evidencia a gravidade do feminicídio no país. A pasta destacou, ainda, a necessidade do enfrentamento da violência de gênero e da atenção à saúde mental dos profissionais de segurança pública.
O governo do Espírito Santo e a prefeitura de Vitória decretaram luto oficial de três dias. As autoridades locais seguem com as investigações para esclarecer todos os detalhes do crime e apurar responsabilidades.





