Brasil amplia áreas protegidas no Cerrado mineiro e no Pantanal: entenda as novas UCs que somam 148 mil hectares
Reserva no norte de Minas e ampliações em Taiamã e no Parque Nacional do Pantanal fortalecem conservação, comunidades tradicionais e o pulso de inundação do Pantanal
O governo federal anunciou a criação de uma nova Unidade de Conservação (UC) no Cerrado mineiro e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal, totalizando um acréscimo de 148 mil hectares sob proteção. O comunicado foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, realizada em Campo Grande.
Quais medidas foram adotadas
As ações envolvem: a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, em Minas Gerais, com 40,8 mil hectares; a ampliação da Estação Ecológica do Taiamã, em Cáceres (MT), que passa de 11,5 mil para 68,5 mil hectares; e a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM), em Poconé (MT), que aumenta de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Taiamã: maior proteção para ilhas fluviais e espécies aquáticas
A Estação Ecológica do Taiamã, criada em 1981 pelo Decreto nº 86.061, é uma ilha fluvial delimitada pelo Rio Paraguai e composta por campos inundáveis, lagoas permanentes e temporárias, meandros e corixos. A ampliação atende a demandas de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) que apontavam insuficiência da área para proteger populações de onças-pintadas e berçários de peixes.
Segundo dados do ICMBio e pesquisas locais, a área abriga ao menos 131 espécies de peixes e uma comunidade de onças que, singularmente, pesca peixes e jacarés, comportamento documentado em 2021. Técnicos destacam que a expansão deverá garantir viabilidade genética das onças, proteger berçários naturais e ampliar serviços ecossistêmicos como sequestro de carbono e purificação da água.
Parque Nacional do Pantanal: reforço ao pulso de inundação
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, criado também em 1981 pelo Decreto nº 86.392, tem sua área expandida para 183,1 mil hectares. O parque é marcado por ciclos de inundação — em períodos que podem durar até oito meses — sustentados por rios como o Paraguai e o São Lourenço. A proteção ampliada visa preservar a dinâmica hídrica que sustenta a biodiversidade do bioma e sua resiliência às mudanças climáticas.
O ICMBio divulgou uma lista de espécies ameaçadas presentes no parque, entre elas gato-maracajá, tamanduá-bandeira, onça-pintada, jacu-de-barriga-castanha, tatu-canastra, ariranha e o cervo-do-pantanal. A área ampliada também reforça a conexão com unidades e áreas naturais vizinhas, inclusive com a Área Natural de Manejo Integrado San Matias, na Bolívia.
Reserva no Cerrado mineiro: proteção de nascentes e modos de vida
A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas protegerá 40,8 mil hectares nos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas. A unidade busca conservar nascentes que abastecem a região, áreas de extrativismo e garantir direitos territoriais e modos de vida das comunidades geraizeiras, presentes na região desde o século XIX.
A reserva conecta-se a outras áreas de conservação no Cerrado, como o Parque Estadual Serra Nova, e fica próxima ao Parque Estadual Grão Mogol, ampliando o mosaico de proteção e as possibilidades de manejo sustentável da paisagem.
Impactos esperados e gestão
A gestão das UCs será responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A ministra Marina Silva afirmou que as medidas foram construídas com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional, ressaltando que a ampliação protege o pulso de inundação do Pantanal e que a nova UC no Cerrado alia justiça social e conservação.
Mauro Pires, presidente do ICMBio, destacou que a criação reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras e fortalece modos de vida que preservam o equilíbrio entre Cerrado e Caatinga. Pesquisadores envolvidos lembram que áreas maiores conservadas significam mais sequestro de carbono, regulação climática, proteção de biodiversidade e melhoria na qualidade da água — benefícios diretos para pessoas e ecossistemas.
Com essas medidas, o Brasil amplia a malha de proteção de dois biomas fundamentais para a água, o clima e a biodiversidade do país. A iniciativa também aponta para uma estratégia que combina conservação de espécies e territórios com reconhecimento dos direitos e saberes das comunidades locais.





