Cúpula em Campo Grande reúne 132 países e UE para orientar debates da COP15 da CMS e proteger rotas migratórias do Pantanal
Encontro convocado por Lula antecede a conferência (23–29/3) e vai definir agenda, orçamento e acordos para 1.189 espécies migratórias protegidas pela Convenção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, neste domingo (22), em Campo Grande (MS), chefes de Estado, representantes de governo e diplomatas de 132 países mais a União Europeia que assinam a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, conhecida pela sigla CMS.
Participantes e programação
A sessão de Alto Nível tem início às 16h no horário local (17h em Brasília) e marca a preparação final das delegações para a 15ª Conferência das Partes da CMS (COP15), que ocorre entre 23 e 29 de março na capital sul-mato-grossense. Estão confirmadas as presenças do presidente do Paraguai, Santiago Peña; da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e do presidente designado da COP15, João Paulo Capobianco.
O presidente Lula permanecerá em Campo Grande para fazer o discurso de abertura da conferência na segunda-feira, 23, quando João Paulo Capobianco assumirá oficialmente a presidência da COP15 pelos próximos três anos.
Objetivos e decisões a serem tomadas
A cúpula tem por objetivo orientar as delegações a ampliar a cooperação internacional para enfrentar desafios ligados à conservação de espécies que migram entre países. Entre os pontos a serem definidos estão a mesa diretora, a agenda de debates, o orçamento da convenção, governança e o planejamento estratégico para o triênio.
Durante a plenária, que permanece aberta até 29 de março, deverão ser fechados ajustes nas duas listas de espécies que integram o tratado: o Anexo I, com espécies ameaçadas de extinção, e o Anexo II, com espécies migratórias que exigem atenção coordenada dos países.
Resultados esperados e acordos de cooperação
Além da revisão de anexos, a delegação brasileira e os parceiros internacionais esperam selar novos acordos bilaterais e multilaterais voltados à conservação de habitats e à proteção de rotas migratórias, com foco em medidas práticas para proteger corredores ecológicos e reduzir ameaças como perda de habitat, poluição e captura incidental.
Contexto da Convenção e importância para o Brasil
Criada em 1979, a CMS é o principal tratado global voltado à proteção de espécies migratórias, seus habitats e rotas. Atualmente, cerca de 1.189 espécies estão sob a proteção da convenção, distribuídas em dois anexos: 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 peixes, 10 répteis e 1 inseto.
Entre as espécies conhecidas presentes na lista estão a onça-pintada, a baleia-jubarte, a tartaruga-verde e o tubarão-mangona. A participação do Paraguai é destacada pela vizinhança com Mato Grosso do Sul e pelo compartilhamento do bioma Pantanal com Brasil e Bolívia, região crucial para muitas espécies migratórias.
Esta é a primeira vez que o Brasil sedia uma COP da CMS, oportunidade para dar visibilidade às ameaças às espécies migratórias na América do Sul e para promover ações regionais coordenadas.
A repórter viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente.





