Projeto Encontro com Arariboia em Niterói reúne Ailton Krenak e lideranças indígenas e encena ‘Veredito Ancestral’ sobre a batalha de Uruçumirim
Evento reúne ativistas, lideranças regionais e representantes do Ministério dos Povos Indígenas para debater memória, cultura e justiça histórica
O projeto Encontro com Arariboia trouxe a Niterói um encontro de lideranças indígenas, artistas e ativistas para discutir ancestralidade, memória e presença indígena no cenário cultural da cidade. A programação contou com nomes como o escritor e ativista Ailton Krenak, o líder Marcos Terena (MS), a ativista Yakuy Tupinambá (BA) e o representante do Ministério dos Povos Indígenas, Karkaju Pataxó (BA), além de lideranças da região — entre elas Martinha Guajajara, Cacica Jurema Nunes, Carolina Potiguara e Seu Chico.
Objetivos do projeto
Segundo os organizadores, o objetivo é consolidar Niterói como referência de culturas indígenas no país e criar um espaço de escuta ativa e construção de saberes. A proposta busca articular pensamento, arte e memória para revisitar a história local a partir das populações que sempre habitaram a Baía de Guanabara.
Tribunal de Uruçumirim: ‘Veredito Ancestral’
O destaque da programação foi a encenação intitulada ‘Veredito Ancestral’, um tribunal simbólico em que um Conselho de Sentença indígena reconstituiu e julgou os acontecimentos da batalha de Uruçumirim, ocorrida no século 16. O confronto, que envolveu colonizadores portugueses, franceses e diversas nações indígenas, marcou o fim da disputa entre França e Portugal pelo controle da região e influenciou a continuidade do núcleo urbano fundado pelos portugueses, que deu origem à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Importância cultural e institucional
Para a secretária municipal das Culturas, Júlia Pacheco, o encontro é um passo relevante para reconhecer e valorizar a ancestralidade de Niterói. ‘O Encontro com Arariboia reúne pensamento, arte e memória para revisitar a história da Baía da Guanabara a partir dos povos que sempre estiveram aqui. É um passo importante para fortalecer a presença indígena na cena cultural e no debate público da cidade’, afirmou.
A iniciativa sinaliza um movimento local por maior visibilidade e participação indígena nas políticas culturais e no registro público da história, enquanto aproxima pesquisadores, ativistas e moradores para uma reinterpretação coletiva do passado e das narrativas presentes.





