Lula vai a Bogotá para Cúpula da Celac: debate sobre zona de paz na fronteira Colômbia-Equador, segurança alimentar e doações humanitárias a Cuba
Presidente participa da 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos com líderes regionais; Brasil defende diálogo e apresentação de propostas práticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parte na noite de sexta-feira (20) para Bogotá, onde participará no sábado (21) da 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Além dos países da região, representantes de nações africanas foram convidados.
Delegações e participantes
Estão confirmadas as presenças do presidente da Colômbia, Gustavo Petro; do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; e do primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves. Ao menos 20 chanceleres também participarão do encontro, que reúne 33 países e representa uma população combinada de cerca de 650 milhões de pessoas em uma área aproximada de 20 milhões de quilômetros quadrados.
A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a ida do presidente brasileiro reforça o compromisso do Brasil com a integração regional. “Ainda mais no mundo como o de hoje, onde proliferam unilateralismos e medidas coercitivas. Nós avaliamos que é muito importante a manutenção de um espaço regional de diálogo”, disse Padovan.
Tensões fronteiriças e proposta de “zona de paz”
Entre os temas previstos estão segurança alimentar, energética e as tensões regionais. O Itamaraty manifestou “grave preocupação” com relatos de mortes na zona de fronteira entre Colômbia e Equador. Segundo a embaixadora, a situação na fronteira apresentou uma redução de temperatura, mas ainda inspira cautela.
O governo brasileiro defende que a declaração final da Celac consolide a ideia de que a região deve ser tratada como uma zona de paz. A formulação exata, porém, deverá ser discutida durante a reunião e só será conhecida ao final do encontro.
Ajuda humanitária a Cuba
O tratamento da situação em Cuba também é ponto de atenção. Padovan declarou preocupação com a situação humanitária da população cubana e informou que o Brasil está encaminhando doações por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA).
- 20 mil toneladas de arroz com casca;
- 200 toneladas de arroz polido;
- 150 toneladas de feijão preto;
- 500 toneladas de leite em pó.
Segundo o Itamaraty, as doações têm caráter comunitário e visam mitigar necessidades imediatas da população cubana.
Comércio, segurança alimentar e prioridades da presidência da Celac
A Celac reúne uma força econômica e agroalimentar relevante. O Brasil tem fluxo comercial com a região estimado em cerca de R$ 100 bilhões — volume superior ao registrado com a União Europeia e os Estados Unidos, ficando em patamar comparável ao comércio com a China. A América Latina e o Caribe são destino de 40% das exportações brasileiras de manufaturados.
Padovan ressaltou que a região é uma potência agroalimentar: produz alimentos suficientes para cerca de três vezes a sua população, o que a torna grande exportadora mundial.
Durante a cúpula, a presidência da Celac passará da Colômbia para o Uruguai, que apresentará suas prioridades de gestão. Entre as iniciativas em avaliação estão um plano de segurança alimentar e nutricional e mecanismos de resposta a riscos de desastres naturais, incluindo um fundo específico para emergências. Uma declaração final com as decisões e consensos do encontro será divulgada ao término da cúpula.
Até a conclusão do evento, autoridades brasileiras e delegações presentes tentarão consolidar posições sobre paz regional, cooperação humanitária e iniciativas concretas para ampliar a integração e a segurança alimentar na América Latina e no Caribe.





