Europa e Japão manifestam disposição para reabrir o Estreito de Ormuz e garantir livre navegação diante da crise no Oriente Médio
Depois do fechamento do canal pelo Irã em resposta a ataques dos EUA e Israel, potências europeias e o Japão sinalizam coordenação para proteger tráfego comercial enquanto conflitos atingem infraestrutura energética
Fechamento do Estreito e resposta iraniana
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro. O governo de Teerã informou que a passagem permanece fechada para navios de bandeira dos EUA, de Israel e de seus aliados, incluindo países europeus que, em sua maioria, apoiaram politicamente as ações contra o regime persa.
Escalada recente e impactos sobre energia
A guerra escalou nesta quarta-feira (18), após um ataque israelense ao campo de gás South Pars, situado no Irã. Em seguida, houve retaliações que atingiram elementos da indústria de energia no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Os ataques a instalações de petróleo e gás ampliaram a incerteza econômica e elevaram o risco de um choque nos mercados globais de energia.
Reação da Europa, do Japão e cenários para reabertura
Em meio ao corte de tráfego imposto por Teerã, governos europeus e o Japão manifestaram disposição para atuar a fim de restabelecer a passagem e proteger o comércio marítimo. As declarações apontam para maior coordenação diplomática e para opções de escolta e proteção de navios comerciais, caso o fechamento persista. Analistas alertam, porém, que qualquer ação de reabertura pode elevar o risco de confrontos diretos com forças iranianas na região.
Contexto histórico e possíveis desdobramentos
O atual conflito ocorre no contexto de décadas de tensão: pela segunda vez desde junho de 2025, EUA e Israel bombardearam alvos iranianos em meio a negociações sobre o programa nuclear e balístico de Teerã. O ataque de 28 de fevereiro que destruiu grande parte do centro de decisão em Teerã matou o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e levou à escolha de seu filho, Mojtaba Khamenei, como sucessor. O Irã respondeu com mísseis contra países do Golfo onde há presença militar americana, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
O abandono do acordo nuclear de 2015 por parte dos Estados Unidos no primeiro governo Trump e a retomada de pressões no segundo mandato contribuíram para o aumento das tensões. Enquanto EUA e Israel acusam Teerã de buscar armas nucleares, o Irã defende que seu programa tem fins pacíficos e já se dizia disposto a inspeções internacionais — algo que contrasta com a política israelense, que nunca permitiu inspeções externas ao seu programa.
Com a região em alerta, a disposição de Europa e Japão de buscar a reabertura do Estreito de Ormuz eleva a importância de negociações diplomáticas imediatas para evitar uma crise ainda maior nos mercados de energia e no tráfego marítimo internacional. A Espanha, entre as principais potências europeias, segue uma posição distinta ao condenar a guerra.





