Bebê com sarampo importado da Bolívia acende alerta: baixa cobertura vacinal (1ª dose 92,5%, esquema completo 77,9%) e risco de surtos no Brasil
Caso confirmado em São Paulo reforça necessidade de checar cartão de vacinação; especialistas destacam proteção de longo prazo e recomendam doses por faixa etária
Um caso confirmado de sarampo em uma bebê em São Paulo, com história de viagem em família à Bolívia em janeiro, reacendeu o alerta sobre a importância da alta cobertura vacinal no Brasil. A Bolívia enfrenta um surto desde o ano passado, e especialistas lembram que a circulação internacional do vírus aumenta o risco de introdução de casos no país.
Caso confirmado e origem
A paciente é a primeira infecção registrada no Brasil neste ano. No ano anterior, 38 casos foram confirmados, em sua maior parte com origem importada. Apesar do registro atual, o país mantém o certificado de área livre de transmissão sustentada do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024. Contudo, o histórico mostra que o status pode ser perdido: o Brasil já teve o certificado em 2016 e o perdeu em 2019 após surtos iniciados por casos importados.
Cobertura vacinal e riscos
Os números mostram pontos de atenção na proteção da população: no ano passado, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas somente 77,9% completaram o esquema na idade correta. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ‘o sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade, especialmente entre os não vacinados. A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus’. Ele alerta que, com muita gente vindo de países com surtos, basta a diminuição da cobertura para o risco de transmissão aumentar mesmo sem viagens diretas.
Quem deve se vacinar e contraindicações
É importante lembrar que a vacina protege por toda a vida quando administrada no tempo correto. Para quem não tem comprovante de vacinação, as recomendações são: duas doses, com intervalo de um mês, para pessoas de 5 a 29 anos; e uma dose para adultos de 30 a 59 anos. A vacina não deve ser aplicada em gestantes nem em pessoas imunocomprometidas. Em caso de dúvida, autoridades de saúde orientam checar o cartão de vacinação e procurar postos para atualização.
Cenário nas Américas e gravidade da doença
O panorama regional é preocupante. No ano passado foram notificados 14.891 casos em 14 países das Américas, com 29 óbitos. Só até 5 de março deste ano já foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. Os países mais afetados incluem México, Estados Unidos e Guatemala, e a maior parte dos casos ocorreu em pessoas não vacinadas, especialmente crianças menores de 1 ano.
O sarampo não é apenas uma erupção cutânea e febre: provoca tosse, coriza, conjuntivite e pode evoluir para pneumonia e complicações neurológicas, como encefalite. ‘Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos temos um óbito, mas estamos registrando proporções maiores’, diz Kfouri. Além disso, a infecção causa supressão do sistema imunológico por três a seis meses, deixando a pessoa mais vulnerável a outras doenças oportunistas.
O caso recente em São Paulo reforça a recomendação das autoridades: manter cobertura vacinal alta, checar o cartão de vacinação e atualizar doses pendentes. A prevenção continua sendo a principal barreira para evitar que casos importados desencadeiem surtos no Brasil.




