Ataque israelense destrói prédios no centro de Beirute e amplia guerra contra o Irã após morte de autoridades
Aviões israelenses lançam bombardeios no coração da capital libanesa; Teerã e Israel trocam ataques e civis pagam o preço da escalada
A madrugada desta quarta-feira (18) foi marcada por um dos ataques aéreos mais intensos no centro de Beirute em décadas, quando aviões de guerra israelenses atingiram prédios residenciais em pelo menos três distritos da capital libanesa. Autoridades e testemunhas relataram colapso de estruturas, fumaça nos arredores e vítimas entre moradores civis.
O ataque no centro de Beirute
No distrito de Bachoura, no centro de Beirute, imagens e relatos de moradores mostram um edifício residencial sendo completamente destruído após um aviso das forças israelenses de que a construção seria usada pelo Hezbollah. Vídeos verificados por agências internacionais exibem a estrutura desmoronando e uma grande pilha de escombros fumegantes onde equipes de resgate trabalharam.
Testemunhas disseram que receberam um alerta para deixar o prédio atacado e ajudaram vizinhos a fugir. No entanto, outros ataques que atingiram prédios de apartamentos em duas áreas centrais não tiveram avisos semelhantes, segundo autoridades libanesas, que contabilizam ao menos dez mortos somente nesses bombardeios.
Embora ataques israelenses já tenham atingido subúrbios do sul de Beirute nos últimos dias, analistas e moradores afirmam que os recentes golpes nas partes centrais da cidade são dos piores a atingir essa área em décadas, ampliando o alcance do conflito para além das zonas fronteiriças habituais.
Reivindicações, retaliações e a morte de autoridades
No mesmo período, Israel afirmou ter matado uma autoridade iraniana de alto escalão, o ministro da Inteligência Esmail Khatib. Um dia antes, relatórios e comunicados citados pelas próprias autoridades iranianas informaram a morte de Ali Larijani, descrito por algumas fontes como um poderoso chefe de segurança — notícias que Teerã confirmou, segundo declarações oficiais citadas por agências.
O Irã retaliou com disparos de mísseis de múltiplas ogivas contra alvos em Israel; as autoridades israelenses informaram que ataques iranianos mataram duas pessoas nas proximidades de Tel Aviv. Autoridades iranianas também disseram que as perdas de lideranças não enfraqueceriam as operações de Teerã e que o sistema político do país não depende de um único indivíduo, nas palavras do ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi.
Uma autoridade iraniana não identificada relatou ainda que o novo comando em Teerã rejeitou propostas de interlocutores para reduzir a escalada, defendendo que Estados Unidos e Israel deveriam ser “colocados de joelhos” antes de qualquer trégua — declaração que ressalta o clima de radicalização nas negociações indiretas.
Vítimas, deslocamento e danos humanitários
O Líbano enfrenta um balanço crescente de vítimas: autoridades locais disseram que cerca de 900 pessoas foram mortas no país e que cerca de 800 mil foram forçadas a deixar suas casas desde o início das hostilidades. Organizações de direitos humanos ligadas à diáspora iraniana afirmaram que mais de 3 mil pessoas teriam morrido no Irã desde o início dos ataques israelenses e norte-americanos no final de fevereiro — números que ainda não foram verificados de forma independente por todas as agências internacionais.
Dentro de Israel, ataques iranianos também causaram danos. Um míssil iraniano abriu uma cratera na calçada e incendiou carros em Holon, ao sul de Tel Aviv, onde moradores relataram sirenes, corrida para abrigos e uma explosão violenta.
Além dos bombardeios, as hostilidades terrestres aumentaram: tropas israelenses lançaram uma ofensiva no sul do Líbano visando posições do Hezbollah, e o Exército de Israel reconheceu ter disparado, num incidente atribuído a erro, contra uma base da ONU, ferindo três soldados de paz de Gana.
Impacto regional e riscos políticos
A escalada já provoca efeitos além do campo de batalha. Relatos citam uma interrupção inédita no fornecimento global de energia, com impacto nos preços e custos domésticos: nos Estados Unidos, o preço do diesel ultrapassou US$ 5 por galão, um sinal de risco político para o governo do presidente Donald Trump, segundo analistas mencionados por veículos internacionais.
Israel e os Estados Unidos têm afirmado que o objetivo das operações é impedir projeção de força do Irã além de suas fronteiras e destruir capacidades de mísseis e nucleares. Ao mesmo tempo, aliados ocidentais têm convocado por contenção para evitar uma escalada regional mais ampla, enquanto Teerã pede que a pressão externa leve à mudança de postura de Washington e Jerusalém.
Até o momento, não há sinais de uma dissidência organizada capaz de alterar o curso do regime iraniano, segundo observadores citados por agências, e as negociações indiretas entre intermediários continuam sem avanços públicos significativos.
O cenário é de tensão contínua: com civis pagando o preço mais alto — mortos, feridos e deslocados —, a guerra entre blocos regionais e potências internacionais segue em um ponto crítico, com consequências humanitárias e geopolíticas de longo alcance.





