Sul Global como Força Transformadora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu enfaticamente a união dos países em desenvolvimento, especialmente aqueles que compõem o chamado Sul Global, como um caminho fundamental para “mudar a lógica econômica” mundial. A declaração foi feita durante sua recente visita à Índia, antes de seguir para a Coreia do Sul. Lula ressaltou as dificuldades históricas enfrentadas por nações menos desenvolvidas em negociações com superpotências e argumentou que a união fortalece a capacidade de negociação. “Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, afirmou o presidente.
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Ele destacou que essa transformação é possível se houver vontade política, baseando-se em uma perspectiva histórica de colonização econômica e tecnológica. “Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.
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BRICS e a Nova Ordem Econômica
Lula avaliou que o BRICS tem desempenhado um papel crucial na viabilização dessa nova dinâmica econômica global, descrevendo o bloco como algo que “está ganhando uma cara”. Ele mencionou a criação de um banco pelo grupo e reconheceu a preocupação dos EUA, atribuindo-a mais à ascensão da China do que ao fortalecimento do bloco em si. O presidente reiterou que a intenção não é criar uma nova Guerra Fria, mas sim fortalecer o grupo, que pode se integrar ao G20 e, potencialmente, formar um “G30”.
Desmistificando rumores, Lula negou a intenção de criar uma moeda própria para o BRICS. “O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos”, explicou, antecipando que essa proposta pode gerar resistência inicial nos EUA, mas que o debate é necessário.
Fortalecimento da ONU e Relações Internacionais
Em outro ponto, o presidente brasileiro reafirmou seu compromisso com o multilateralismo e o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo que a entidade recupere sua legitimidade e eficácia na manutenção da paz e harmonia global. Lula lamentou a incapacidade de a ONU responder a conflitos como os da Venezuela, Gaza e Ucrânia, criticando intervenções unilaterais de qualquer país, independentemente de seu poderio. “Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, defendeu.
Sobre a relação com os Estados Unidos, Lula indicou que parcerias podem surgir, especialmente no combate a organizações criminosas transnacionais, como o narcotráfico. Ele propôs uma colaboração mútua, inclusive na extradição de criminosos brasileiros detidos nos EUA. Lula também defendeu que a relação das superpotências com a América do Sul e o Caribe seja pautada pelo respeito, destacando a região como pacífica e com foco em crescimento econômico e desenvolvimento social. O presidente manifestou o desejo de discutir com Donald Trump o papel dos EUA na América do Sul.
Parcerias Estratégicas na Ásia
Durante sua visita à Índia, Lula teve encontros produtivos com o primeiro-ministro Narendra Modi, focando no fortalecimento das relações comerciais e na elevação do comércio bilateral de US$ 15,5 bilhões para uma meta de US$ 30 bilhões até 2030. Empresários indianos demonstraram otimismo com o ambiente de negócios no Brasil e planos de expandir seus investimentos. Lula também reiterou a abertura do Brasil para a exploração de minerais críticos e terras raras, com a condição de que o processamento e a agregação de valor ocorram em território brasileiro, evitando a repetição de modelos de exportação de matéria-prima sem industrialização local.
A viagem à Ásia incluiu também uma visita à Coreia do Sul, com o objetivo de aprofundar o relacionamento bilateral e estabelecer uma parceria estratégica através de um Plano de Ação Trienal.




