O que se sabe sobre as festas de Daniel Vorcaro
As festas promovidas por Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, tornaram-se alvo de um pedido de investigação pelo Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União). A solicitação surge em meio ao avanço das apurações do caso Master e a relatos de eventos que teriam reunido autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de executivos de grandes empresas.
Veja também:
- Fraudes em solicitações de indenização à Renova é algo de operação em Baixo Guandu
- Vídeo | Saque a carreta termina em confronto e balas de borracha no ES
- Cartão vermelho: Polícia Civil indicia brigões de torcida organizada no ES
Ambiente de Luxo e Discrição
Segundo apurações, os encontros promovidos por Vorcaro eram marcados pelo luxo e por um alto grau de discrição. Frequentemente, o uso de celulares era proibido, alimentando a percepção de que registros dos eventos, por vezes chamados de “Cine Trancoso”, poderiam ter sido feitos pelo próprio anfitrião. Testemunhos descrevem recepções com mulheres apresentadas como modelos, algumas possivelmente vindas do exterior e com pouca familiaridade com o português, o que poderia ser uma estratégia para dificultar a comunicação e o registro de conversas.
> Quer receber as principais notícias do Colatina em Ação no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!
O cardápio dos eventos incluía iguarias como caviar e vinhos de alto valor, como Petrus e La Tâche, cujas garrafas podem custar de R$ 5 mil a R$ 50 mil. O uísque Macallan também era uma presença frequente, com versões que podem ultrapassar R$ 90 mil no Brasil.
Presença de Autoridades e Fortalecimento de Vínculos
Pessoas próximas a Daniel Vorcaro afirmam que ele se dedica a construir redes de relacionamento no meio político e empresarial, considerando a importância de impressionar convidados para fortalecer vínculos. Os eventos suntuosos teriam sido reservados a grupos restritos de autoridades, incluindo políticos de diferentes partidos, executivos de bancos e fundos de previdência. Há relatos de que a eventual divulgação de imagens dessas festas, embora não ilegais, poderia reforçar a influência de Vorcaro sobre essas figuras.
Festas em Diversas Localidades e o Caso Master
As festas não teriam se limitado a Trancoso, na Bahia. Segundo relatos de 13 executivos, empresários e integrantes de órgãos públicos, eventos de diferentes portes teriam sido organizados por Vorcaro em outras localidades no Brasil e no exterior. Em São Paulo, uma área de hotel teria sediado encontros mais frequentes. Esses episódios ganharam notoriedade à medida que as investigações sobre o caso Master avançam.
Um exemplo citado é uma festa durante a Semana do Brasil em Nova York e outro evento paralelo ao Fórum Jurídico de Lisboa. Pessoas ligadas ao caso Master afirmam que algumas mulheres que frequentavam as festas teriam se aproximado de Vorcaro, recebido mesadas e se hospedado em hotéis de luxo em São Paulo. Reportagens também apontaram transações envolvendo uma empresa ligada ao banqueiro e uma jovem autodeclarada “sugar baby”, que recebeu um apartamento avaliado em quase R$ 4,4 milhões.
Reação e Defesa
O MBL (Movimento Brasil Livre) organizou protestos em frente ao Banco Master, com críticas à fama de festeiro de Vorcaro. Em nota, a defesa do banqueiro repudiou as informações e alegações, classificando-as como baseadas em fontes não fidedignas e relatos distorcidos, utilizados para construir uma narrativa difamatória e sensacionalista. A defesa argumenta que a divulgação de conteúdos morais dissociados de relevância jurídica contribui para a criação de ilações e invasão da esfera privada, reforçando um ambiente de pré-julgamento.
Diálogos obtidos pela Polícia Federal através do celular de Vorcaro indicam que o banqueiro determinou repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao resort de um ministro do STF, segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.





