CNBB lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco no direito à moradia digna
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início à Campanha da Fraternidade (CF) de 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). A iniciativa, lançada oficialmente em Brasília na Quarta-feira de Cinzas, visa aprofundar a reflexão sobre a urgente necessidade de garantir moradia digna a milhões de brasileiros que ainda vivem sem um teto seguro.
Inspirada por sugestões da Pastoral da Moradia e Favelas, a campanha destaca a habitação como um direito humano fundamental e como alicerce para o acesso a outros direitos essenciais, como saúde, segurança, educação e dignidade.
Veja também:
- Fraudes em solicitações de indenização à Renova é algo de operação em Baixo Guandu
- Vídeo | Saque a carreta termina em confronto e balas de borracha no ES
- Cartão vermelho: Polícia Civil indicia brigões de torcida organizada no ES
Moradia digna: um direito, não um privilégio
Durante o lançamento, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, enfatizou que a segurança habitacional não deve ser vista como um privilégio. “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício de outros direitos”, afirmou.
O padre Jean Poul Hansen, secretário-executivo de Campanhas da CNBB, leu uma mensagem do Papa Leão XIV, lembrando que a Sagrada Família enfrentou a falta de abrigo em Belém, com Jesus nascendo em uma manjedoura. Essa identificação com os desabrigados é central para a campanha.
> Quer receber as principais notícias do Colatina em Ação no WhatsApp? Clique aqui e entre na nossa comunidade!
Chamado à ação e políticas públicas
Padre Jean Poul Hansen conclamou a sociedade e o poder público a debater e garantir o direito à habitação de forma contínua, não apenas durante o período da campanha. “Deve ser uma atitude constante que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não tem onde morar”, ressaltou.
A CNBB também apresentou a experiência da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA), que tem promovido a conquista de moradia digna para pessoas em situação de rua. Irmão Henrique Peregrino, responsável pela iniciativa, destacou que o projeto vai além de oferecer estrutura física, buscando “o aconchego de um lar, um sentir-se em casa, em família”.
Déficit habitacional e o papel do Estado
A Campanha da Fraternidade de 2026 também joga luz sobre o déficit habitacional no Brasil, que em 2022 afetava cerca de 328 mil pessoas em situação de rua. Padre Jean Poul Hansen cobrou o cumprimento do papel do Estado na redução desse déficit, defendendo que “a política é a forma mais excelente da caridade” e que “ações sociopolíticas em todos os âmbitos de governo e da sociedade” são necessárias.
Dom Hoerpers reforçou que as políticas públicas habitacionais são deveres do Estado e não concessões. “A crise habitacional deve mobilizar a sociedade com um todo. Primeiro as autoridades públicas, nos âmbitos municipal, estadual e federal, que a moradia digna seja prioridade nas agendas e nos orçamentos.”
Dados do Ministério das Cidades indicam uma leve redução no déficit habitacional absoluto entre 2022 e 2023, caindo de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios. O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tem sido um dos pilares na busca por soluções, com mais de 1,9 milhão de unidades contratadas desde 2023 e a meta de atingir 3 milhões de moradias até o fim de 2026.
Programação especial em Aparecida
Após a abertura nacional, a programação da Campanha da Fraternidade segue no Santuário Nacional de Aparecida (SP). No sábado (21), será realizada a bênção da escultura “Cristo Sem Teto”, obra do artista Timothy Schmalz, que retrata Jesus identificado com os sem-teto. No domingo (22), a missa de abertura no Santuário Nacional será presidida pelo presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler.





