Desabafo presidencial sobre o inquérito do Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado crescente incômodo com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. Lula acompanha de perto o desdobramento do caso e as críticas dirigidas ao magistrado, sinalizando que não pretende defendê-lo publicamente. Em conversas reservadas com auxiliares próximos, o presidente fez comentários severos sobre Toffoli, chegando a expressar, em momentos de desabafo, que o ministro deveria renunciar ao cargo ou se aposentar, segundo relatos obtidos pela reportagem.
Preocupação com desgaste institucional e busca por respostas
O incômodo de Lula estende-se ao desgaste institucional que as notícias sobre o caso têm causado ao Supremo. Aliados relatam que o presidente reclama do sigilo imposto ao processo e do receio de que a investigação seja abafada. Lula tem defendido a importância de as investigações prosseguirem, mostrando que o governo combate fraudes sem poupar figuras proeminentes. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, declarou o presidente recentemente. Há também a percepção de que o caso pode atingir políticos de oposição e até mesmo alguns governistas, o que poderia manter o andamento da apuração.
Conversa no Planalto e a esperança de “fazer a coisa certa”
Lula já havia conversado com Toffoli sobre sua conduta no inquérito no final do ano passado, em um almoço no Palácio do Planalto que também contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, Lula teria dito que tudo que seu governo desvendou deveria ser levado às últimas consequências e questionou a disposição do tribunal em prosseguir com as apurações, especialmente após a decretação de sigilo. Toffoli teria garantido que nada seria abafado e que o sigilo era justificável. O presidente teria então afirmado que Toffoli faria a coisa certa e que a relatoria seria uma oportunidade para o ministro “reescrever sua biografia”.
Toffoli descarta afastamento e aliados duvidam de ação presidencial
Apesar dos desabafos e da preocupação presidencial, colaboradores de Lula duvidam que o presidente chegue a propor formalmente o afastamento de Toffoli do tribunal ou da relatoria do caso. O ministro, por sua vez, tem dito a interlocutores que descarta abdicar do processo por não ver elementos que comprometam sua imparcialidade, mesmo diante de revelações sobre viagens de jatinho com um dos advogados da causa e negócios que associam familiares seus a um fundo ligado ao Banco Master. O presidente, que indicou Toffoli para o STF, já teve outras decepções com o ministro, como o episódio em que Toffoli impediu sua visita ao velório do irmão quando estava preso.





