O que são ‘preppers’ e por que se preparam?
O termo ‘prepper’ se refere a indivíduos que se preparam para cenários de colapso social, seja parcial ou total. Ao contrário do imaginário popular, que associa o movimento a teorias conspiratórias e cenários apocalípticos de zumbis, a realidade é mais pragmática. Muitos preppers buscam estar prontos para ameaças mais prováveis e tangíveis, como desastres naturais, falhas em infraestruturas críticas e instabilidade social.
Leigh Price, um ex-militar que administra uma loja especializada em equipamentos de sobrevivência no País de Gales, desmistifica os estereótipos. “Muitos dos estereótipos sobre preppers vêm dos Estados Unidos; no Reino Unido, é totalmente diferente”, afirma Price. Ele explica que o foco não é em cenários improváveis como ataques nucleares, mas sim em eventos com maior probabilidade de ocorrência.
Ameaças reais e a preparação básica
A preocupação com ataques cibernéticos que podem derrubar a rede elétrica nacional é um dos pontos levantados por Price. Um apagão prolongado, segundo ele, poderia regredir a sociedade à Idade da Pedra, gerando pânico, saques e violência. Nesses casos, a preparação básica para garantir suprimentos essenciais como alimentos e água potável se torna crucial.
Para Price, o maior erro das pessoas é acreditar que poderiam sobreviver sozinhas na natureza, como um herói de filme. A realidade é que, em situações de crise, a defesa do próprio lar ou o deslocamento para um local seguro com apoio de amigos e comunidade são estratégias mais eficazes. Ele ressalta que preppers são pessoas comuns, de diversas origens, que buscam ter o suficiente para se manter por semanas sem depender de supermercados ou do governo.
A influência da pandemia e a importância da comunidade
A pandemia de COVID-19 impulsionou o interesse pelo prepping. Donna Lloyd, que administra uma página sobre o tema em uma rede social, começou a se preparar após uma queda de energia durante o lockdown. A experiência a fez perceber a vulnerabilidade de não ter recursos básicos à mão.
Tanto Price quanto Lloyd enfatizam a importância da comunidade. “Prosperamos como espécie humana vivendo juntos; ninguém vai sobreviver sozinho fugindo para a natureza”, diz Price. A formação de grupos de preppers tem crescido, incentivando a colaboração e o compartilhamento de conhecimentos e recursos.
O que armazenar e como começar?
A preparação não precisa ser extrema. Começar com o básico é o mais recomendado. Para quem tem um orçamento limitado, Donna Lloyd sugere simplesmente comprar uma lata de comida extra a cada ida ao supermercado. Itens como água, alimentos não perecíveis (enlatados, liofilizados), chá, café, leite em pó e um bom kit de primeiros socorros são essenciais.
Além de suprimentos, o desenvolvimento de habilidades práticas pode aumentar a confiança. Aprender a fazer fogo, por exemplo, não é apenas sobre a habilidade em si, mas sobre a capacidade de identificar os elementos necessários e a sensação de controle e autoconfiança que isso proporciona. O lema no mundo do prepping resume a filosofia: “É melhor ter e não precisar do que precisar e não ter.”





