Descoberta Geológica Revela Origem Natural da Muralha
Uma impressionante muralha construída com pedras vulcânicas e uma substância outrora confundida com óleo de baleia tem intrigado pesquisadores em Goiás. Localizada no Parque Estadual de Paraúna, a formação geológica, que se estende pelo cerrado, é na verdade resultado de um antigo e poderoso evento vulcânico que ocorreu há aproximadamente 135 a 130 milhões de anos. O geólogo Silas Gonçalves explica que esse fenômeno está ligado à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do Oceano Atlântico Sul, originando a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de vastos volumes de lava basáltica.
A Ciência por Trás da Formação Rochosa
Após o resfriamento da lava, o material se solidificou em rocha vulcânica conhecida como basalto, que naturalmente desenvolveu fraturas chamadas juntas de resfriamento. A aparência alinhada da muralha, segundo Gonçalves, deve-se ao processo de erosão natural, que expôs esses blocos vulcânicos. A formação não se assemelha a construções artificiais, mas sim a um conjunto de processos naturais:
- Derrames Basálticos Cretáceos: Grandes fluxos de lava que endureceram, formando o basalto.
- Fraturamento Térmico: O resfriamento da lava causou encolhimento e rachaduras naturais.
- Fraturas Poliédricas: As rachaduras criaram blocos com múltiplos lados, de aparência geométrica.
- Controle Estrutural: O alinhamento das fraturas segue padrões do terreno, em direções como nordeste e noroeste.
- Erosão Diferencial: O desgaste mais rápido das rochas sedimentares ao redor deixou o basalto mais resistente em destaque.
A substância inicialmente identificada como óleo de baleia foi reavaliada pelos pesquisadores. O coordenador da unidade de conservação, Danilo Lessa, esclarece que a análise atual sugere que se trata de um dique de diabásio, uma rocha magmática que preencheu as fendas da muralha durante o resfriamento.
Paraúna: Um Parque de Belezas Naturais e História Pré-Histórica
O Parque Estadual de Paraúna oferece muito mais do que a misteriosa muralha. O local é adornado por cachoeiras deslumbrantes, como a Cachoeira do Desengano, acessível e popular entre os visitantes. Além disso, o parque abriga rochas com formatos curiosos, que lembram animais e objetos, e foi palco de uma descoberta significativa em 2021: vestígios de dinossauros. Pesquisadores encontraram um dente de terópode, confirmando que dinossauros habitaram a região da Serra da Portaria.
Acesso e Recomendações para Visitantes
O parque é aberto ao público, e a visitação não exige a contratação de guias, embora a presença de um profissional seja recomendada por questões de segurança. O horário sugerido para as visitas é entre 7h e 17h, permitindo que os visitantes explorem as belezas naturais e as formações geológicas únicas que tornam Paraúna um destino singular no coração do Brasil.





