O Fenômeno do Looksmaxxing
Uma nova tendência, conhecida como looksmaxxing, tem ganhado força entre jovens homens que buscam atingir um ideal de beleza masculina, muitas vezes influenciados por comunidades online. A prática envolve uma série de métodos para melhorar a aparência, desde rotinas de cuidados com a pele (softmaxxing) até intervenções mais radicais como o ‘bone smashing’ (bater nos ossos do rosto) e o uso de hormônios e peptídeos não regulamentados (hardmaxxing). A motivação por trás dessa busca por um ‘rosto perfeito’ é complexa, podendo advir tanto da autoimagem quanto da percepção de como se é visto pelos outros.
Rotinas e Métodos Inusitados
Exemplos como o de Marvin, um jovem de 26 anos, ilustram a dedicação ao looksmaxxing. Sua rotina inclui treinos intensos, banhos com água alternada, massagens faciais com pepino congelado e exercícios específicos para os músculos faciais, como o ‘Zygopush’ e o ‘Hunter squeeze’. Marvin, que se considera um ‘7 de 10’ e almeja um ‘9 de 10’, documenta suas práticas para milhares de seguidores no TikTok, buscando uma mandíbula definida, olhos amendoados e um perfil esculpido. Ele acredita que essa transformação o levou de um ‘carpinteiro insatisfeito’ a um ‘empreendedor online’. Outros adeptos utilizam aplicativos de análise facial para identificar pontos a serem melhorados, seguindo um ‘manual’ de sucesso estético.
A Conexão com a ‘Machosfera’ e Riscos Associados
A origem do looksmaxxing remonta a fóruns online de ‘incels’ (celibatários involuntários), onde a prática pode se tornar um portal para ideologias mais sombrias, incluindo misoginia. Especialistas que estudam a ‘machosfera’ alertam que essa subcultura, impulsionada por influenciadores como Andrew Tate e Braden Peters (‘Clavicular’), utiliza a insatisfação masculina para vender cursos e produtos que prometem aumentar o ‘valor de mercado sexual’ (SMV). Segundo essa lógica, a falta de atração feminina seria culpa das mulheres, caso o homem não tenha ‘trabalhado o suficiente em si mesmo’. O jornalista Matt Shea destaca que esses criadores de conteúdo exploram a insegurança de jovens homens, apresentando-se como a solução.
Nem Todos se Identificam com Ideologias Extremas
Contudo, nem todos os praticantes de looksmaxxing se alinham com essa retórica. Leander, por exemplo, se define como ‘softmaxxer’ e busca melhorar sua aparência para o próprio bem-estar, após uma decepção amorosa. Sua rotina inclui exercícios, imersão facial em água gelada e a eliminação da pornografia, que ele acredita distorcer a percepção da atração. Tom Thebe, que iniciou a prática ao lidar com a queda de cabelo, utiliza medicamentos aprovados como finasterida e minoxidil, além de peptídeos como GHK-Cu e Melanotan 2, embora estes últimos não sejam regulamentados e apresentem riscos à saúde, conforme alertas da Agência de Saúde e Regulamentação de Medicamentos do Reino Unido (MHRA). Ele reconhece o perigo quando jovens imitam práticas extremas.
Um Espectro de Preocupações
A pesquisadora Anda Solea, da Universidade de Portsmouth, descreve o looksmaxxing como um espectro. Enquanto a preocupação com a saúde e a forma física pode ser positiva, torna-se preocupante quando a saúde é colocada em risco em nome da aparência. Algoritmos de redes sociais podem direcionar jovens para comunidades online que impulsionam o looksmaxxing extremo sob pena de ridicularização. Se, após todo o esforço, a atração feminina não for alcançada, a frustração pode levar ao ódio, um ciclo perigoso que parte da pressão social e da autoimagem.





