Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para carceragem da superintendência da PF
Decisão foi tomada nesta quinta (19) e acontece no contexto de negociações de delação premiada e mudança na defesa do banqueiro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou nesta quinta-feira (19) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro da Penitenciária Federal em Brasília para a carceragem da superintendência da Polícia Federal. A movimentação ocorre em meio à expectativa do início das tratativas para assinatura de um acordo de delação premiada entre Vorcaro e os investigadores.
Autorização e objetivo da transferência
Segundo a decisão, a transferência foi autorizada para viabilizar o contato entre o investigado e os responsáveis pela apuração. A superintendência da Polícia Federal costuma ser o local onde são realizados os primeiros encontros e encaminhamentos de acordos de colaboração, o que explica a mudança de local do preso.
Mudança na defesa e sinalização de negociação
Na semana anterior, após o Supremo formar maioria de votos para manter sua prisão, Vorcaro trocou de advogado. A banca do criminalista Pierpaolo Bottini, conhecido por posições críticas a delações, deixou o caso e foi substituída por José Luis Oliveira, um dos criminalistas mais conhecidos do país. A troca de defesa foi interpretada por interlocutores como um indicativo de que Vorcaro estaria disposto a negociar um acordo de colaboração, seja com a Polícia Federal (PF) ou com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Contexto: o Caso Master
O episódio insere-se no escândalo conhecido como Caso Master. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado por Vorcaro, após o colapso financeiro da instituição. O banco enfrentava uma crise de liquidez depois de oferecer rendimentos elevados para atrair investidores.
Investigações e desdobramentos
As apurações apontam para um esquema de fraudes estimado em cerca de R$ 17 bilhões, que incluiu a criação de carteiras de crédito fictícias e tentativas de venda desses ativos ao Banco de Brasília (BRB) para mascarar o rombo contábil. Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no mesmo dia da liquidação durante a Operação Compliance Zero; embora tenha chegado a responder em liberdade sob medidas cautelares, foi novamente detido no começo de março. As investigações também resultaram no afastamento de funcionários do Banco Central e na liquidação de outras instituições ligadas ao esquema, como a Reag Investimentos e o Banco Pleno.
O desfecho das negociações de delação e o conteúdo eventual de uma colaboração devem influenciar próximos passos das investigações e possíveis responsabilizações. Até o momento, autoridades mantêm sigilo sobre detalhes das tratativas.





