O que se sabe sobre a morte da PM encontrada com arma na mão em SP
Investigação aponta lesões corporais, discrepâncias nas versões e prisão do tenente‑coronel
A investigação sobre a morte da soldado identificada como Gisele em São Paulo avançou com o indiciamento do marido, o tenente‑coronel Geraldo Leite Neto, por feminicídio e fraude processual. A Polícia Civil concluiu o inquérito e, na semana passada, a Justiça Militar expediu mandado de prisão preventiva contra o militar, cumprido em 18 de março em sua residência em São José dos Campos (SP).
O crime e as primeiras ações
No dia do fato, houve contato entre o tenente‑coronel e o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que subiu ao apartamento do casal. Testemunhos também relataram que, no final daquela tarde, três mulheres policiais foram ao apartamento para realizar uma limpeza — informação registrada em depoimentos à Polícia Civil.
Contradições no depoimento e evidências no local
Geraldo declarou à polícia que estava tomando banho no momento do disparo. Socorristas que chegaram ao local, porém, informaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no banheiro. Ainda segundo socorristas, foi registrada uma fotografia da vítima com a arma na mão. O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, afirmou que a posição da arma — bem encaixada na mão — é incomum em casos de suicídio.
Laudos, exumação e lesões constatadas
O primeiro laudo necroscópico, de 19 de fevereiro, já apontava lesões na face e na região cervical direita da soldado, descritas como resultantes de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal (provocado por unha). Em 6 de março, o corpo foi exumado para novos exames; o segundo laudo confirmou lesões contundentes na face e na região do pescoço.
Andamento judicial e destino do acusado
Com o encerramento do inquérito e o indiciamento, o mandado de prisão preventiva foi decretado pela Justiça Militar em 17 de março. No dia seguinte, Geraldo foi preso e conduzido ao 8º Distrito Policial, na zona leste de São Paulo, onde tramitou a investigação. Ele deve seguir para o Presídio Militar Romão Gomes e permanecer à disposição da Justiça enquanto o processo avança.
A investigação segue reunindo laudos periciais, depoimentos e demais provas para subsidiar o processo criminal.





