Livro ‘Sobre a vida delas’ revela como a escravidão infantil do século XIX molda invisibilidade e violência contra crianças negras hoje
Pesquisa histórica aponta continuidades entre práticas do século XIX e vulnerabilidades contemporâneas de crianças negras; autora defende ação estatal e mudanças na escola
O livro Sobre a vida delas retoma a escravidão infantil do século XIX para discutir seus efeitos persistentes na vida de crianças negras no Brasil contemporâneo. A historiadora responsável pela obra afirma que compreender esse passado é condição necessária para enfrentar as desigualdades e violências que permanecem na atualidade.
Diálogo com o presente
Segundo a autora, um dos objetivos da pesquisa é ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por crianças negras ontem e hoje. A ideia central é que práticas e representações originadas no período escravista ainda informam atitudes sociais e institucionais que tratam crianças negras como menos importantes.
Caso Miguel: memória recente que ilustra heranças
A historiadora lembra o caso do menino Miguel Santana da Silva, de 5 anos, que em 2020 caiu do 9º andar de um edifício de luxo no Recife após ser deixado sozinho no elevador pela patroa de sua mãe. “Quando uma mulher branca coloca uma criança negra dentro de um elevador, sozinha, abandonada à própria sorte, revela uma atitude desumana e que essa criança negra não tem importância ou tem menos valor, algo herdado desse passado escravista”, afirma a pesquisadora.
Propostas: políticas públicas e reforma curricular
A autora defende atuação mais eficiente do poder público em relação às crianças negras, com atenção especial às problemáticas no ambiente escolar. Propõe-se reformular currículos para que a educação infantil e as séries iniciais não reproduzam invisibilidade nem naturalizem a violência racial. A intenção é transformar estatísticas de vulnerabilidade em políticas públicas mais justas e inclusivas.
Serviço
Lançamento do livro: Sobre a vida delas.





