Multas contra a Sabesp disparam e chegam a R$ 250 milhões após privatização; reclamações de consumidores quase triplicam
Agência reguladora aponta aumento expressivo em autuações e queixas após desestatização da companhia em julho de 2024, sob gestão de Tarcísio de Freitas.
Valor das multas quadriplica em 2024
O valor das multas aplicadas contra a Sabesp apresentou um crescimento superior a quatro vezes desde a privatização da companhia, concluída em julho de 2024. Os dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) revelam que as multas saltaram de R$ 58,7 milhões em 2023 para R$ 250,7 milhões em 2024. Em 2022, foram registradas oito multas totalizando R$ 19,5 milhões. Já em 2025, foram aplicadas 15 multas que somam R$ 232 milhões, ainda passíveis de recurso.
Reclamações de consumidores quase triplicam na Grande SP
O aumento nas multas coincide com um crescimento expressivo no número de reclamações de consumidores. Na Região Metropolitana de São Paulo, as queixas quase triplicaram em dois anos, passando de cerca de 3,7 mil em 2023 para quase 10 mil em 2024, um acréscimo de 162%. Os principais motivos apontados pelos consumidores são problemas com contas de água e interrupções no abastecimento.
Novo modelo regulatório foca em desempenho e resultados
Segundo a Arsesp, a aplicação de multas ocorre quando há descumprimento das normas estabelecidas. A agência ressalta que o novo modelo regulatório prevê uma avaliação baseada em desempenho e resultados efetivos, com regras claras e rígidas relacionadas a investimentos e melhoria na prestação do serviço à população. A privatização da Sabesp, concluída pelo governador Tarcísio de Freitas, arrecadou R$ 14,8 bilhões e a empresa atende aproximadamente 28 milhões de pessoas.
Exemplos de falhas no serviço e o impacto nos moradores
Um caso recente que ilustra os problemas enfrentados pelos consumidores ocorreu em um condomínio na Zona Sul da capital, onde moradores ficaram mais de 80 horas sem abastecimento de água após um rompimento em uma adutora. A situação gerou transtornos significativos, com famílias dependendo de água mineral para as necessidades básicas e o condomínio precisando contratar caminhões-pipa, gerando custos extras consideráveis. A demora no reparo e as diferentes explicações dadas pela companhia agravaram o descontentamento dos moradores.





