Petrobras retoma 100% da produção em Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III na Bacia de Campos em operação de US$ 450 milhões
Empresa recomprou 50% dos campos da Petronas, voltando a deter a totalidade dos ativos; transação foi anunciada na noite de segunda-feira (16)
Detalhes da transação
A Petrobras anunciou que vai recomprar 50% de participação nos campos Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, na porção sul da Bacia de Campos, em operação que coloca a estatal de volta como única proprietária desses ativos. A vendedora é a petrolífera estatal da Malásia, Petronas.
O valor acordado é de US$ 450 milhões, equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões. O pagamento será parcelado: US$ 50 milhões no ato da assinatura (data ainda não definida); US$ 350 milhões no fechamento da operação, sujeito a ajustes relacionados à data efetiva da transação; e duas parcelas de US$ 25 milhões cada, com vencimentos em 12 e 24 meses após o fechamento.
A conclusão do negócio está condicionada ao cumprimento das condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, incluindo a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Direito de preferência e concorrência
Para efetivar a recomposição de participação, a Petrobras exerceu o direito de preferência — mecanismo que permite ao sócio igualar uma proposta feita a outro detentor da participação. A oferta que motivou o exercício do direito foi anunciada pela Brava Energia em 15 de janeiro de 2026. A Brava é uma grande operadora independente do país, criada em 2024 a partir da união da 3R Petroleum e da Enauta.
Campos, operação e produção
Os campos Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão em lâmina d’água que varia entre aproximadamente 700 metros e 1.620 metros. Hoje, a produção desses blocos já é operada pela Petrobras por meio do navio-plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes, com produção conjunta de cerca de 55 mil barris de óleo por dia.
Quando foram vendidos em 2019, Tartaruga Verde produzia em torno de 103 mil barris por dia, e o Módulo III de Espadarte tinha previsão de início de produção para 2021. Na ocasião a Petrobras vendeu os ativos à Petronas por US$ 1.293,5 milhões, justificando a operação como parte de uma otimização de portfólio e realocação de capital.
Motivos estratégicos e avaliação da Petrobras
A Petrobras afirmou que a aquisição apresenta “condições econômico-financeiras atrativas” e oferece “flexibilidade decisória na gestão de portfólio da companhia”. Segundo a estatal, a compra está alinhada ao plano de negócios, reforçando o foco no segmento de óleo e gás com disciplina na alocação de capital, mitigação de riscos e priorização de ativos com maior potencial de geração de valor para acionistas.
Contexto de mercado e impactos
O movimento acontece num cenário de alta dos preços internacionais do petróleo: o barril do tipo Brent supera US$ 100, com valorização da ordem de 70% no ano. A escalada tem relação com a guerra envolvendo o Irã, que reagiu a ataques com bloqueios no Estreito de Ormuz — passagem por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás — pressionando a oferta global.
Na semana anterior ao anúncio, a Petrobras informou reajuste no preço do diesel (comunicado na sexta-feira, dia 13). A companhia destacou que o impacto ao consumidor será atenuado por medidas anunciadas pelo governo no dia 12, que reduzem tributos incidentes sobre a venda do combustível.
Próximos passos e condicionantes
A operação ainda depende da formalização do fechamento e da aprovação regulatória da ANP. Se confirmada, a recomposição da participação será um marco do novo posicionamento da Petrobras em relação a ativos que haviam sido vendidos no ciclo de desinvestimentos de 2019. A empresa afirma que seguirá critérios de disciplina de capital e priorização de projetos com maior geração de valor.
Enquanto aguarda as aprovações, a Petrobras continuará operando os campos por meio do FPSO já presente na área, mantendo a produção atual e monitorando a evolução dos preços internacionais de petróleo e dos riscos geopolíticos que influenciam o mercado.





