Trump exige que países protejam o Estreito de Ormuz, China recebe 90% do petróleo pela rota
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que está exigindo que outros países, especialmente a China, assumam a responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz. A afirmação foi feita a jornalistas a bordo do Air Force One, enquanto retornava da Flórida para Washington. Trump argumentou que a rota marítima, por onde transita uma parcela significativa do petróleo mundial, não é uma necessidade primordial para os EUA, que possuem acesso próprio ao recurso.
China é a principal beneficiária da rota, segundo Trump
Segundo o presidente americano, a China depende em cerca de 90% do Estreito de Ormuz para o suprimento de seu petróleo, enquanto a contribuição para os EUA é mínima. Trump se recusou a comentar se a China participará de uma eventual coalizão para a segurança da via, mas expressou o desejo de colaboração: “Seria bom ter outros países policiando isso conosco, e nós ajudaremos. Trabalharemos com eles”, afirmou.
Países reagem com cautela ao pedido de Trump
Apesar do apelo de Trump, as reações dos países mencionados foram de cautela e pouca adesão imediata. O Reino Unido informou que o primeiro-ministro Keir Starmer discutiu a importância de reabrir o estreito com Trump e separadamente com o primeiro-ministro do Canadá. Um porta-voz da embaixada chinesa nos EUA declarou que “todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e sem interrupções” e que a China “fortalecerá a comunicação com as partes relevantes” para reduzir as tensões. A Coreia do Sul afirmou que “tomou nota” do pedido e que “coordenará de perto e analisará cuidadosamente” a situação com os EUA. A França já havia mencionado trabalhar com parceiros em uma possível missão internacional, mas ressaltou que isso dependerá das “circunstâncias”. A Alemanha, por outro lado, indicou que não pretende se envolver ativamente no conflito.
Ameaças e ataques intensificam crise no Oriente Médio
A tensão na região é exacerbada por novos ataques com mísseis e drones. Países árabes do Golfo, como Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein, relataram incidentes após o Irã ter ameaçado evacuar portos nos Emirados Árabes Unidos. Teerã acusou os EUA de ataques na ilha de Kharg, principal terminal petrolífero iraniano, a partir dos Emirados Árabes Unidos, sem apresentar provas. O Irã afirmou que o estreito está aberto a todos, exceto EUA e seus aliados, e que busca passagem segura para navios de “diferentes países”, com autorização de suas forças armadas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã “não vê razão para conversar com os americanos” sobre o fim da guerra, atribuindo o início dos combates a Israel e aos EUA.
Impacto da guerra e vítimas
Os ataques iranianos resultaram em mortes e danos significativos. No Irã, mais de 1.300 pessoas morreram, incluindo mulheres e crianças. Em Israel, 12 pessoas foram mortas por mísseis iranianos. No Líbano, ao menos 820 pessoas morreram, com mais de 800 mil deslocados devido aos conflitos. O Irã disparou centenas de mísseis e drones contra vizinhos árabes do Golfo, além de atingir Israel, causando danos em infraestruturas civis e militares. A Agência Internacional de Energia (IEA) informou que estoques emergenciais de petróleo começarão a ser liberados nos mercados globais para tentar estabilizar os preços, em uma ação coletiva sem precedentes.





