Defesa de soldado Gisele Santana afirma que tenente‑coronel Geraldo Neto já foi denunciado por ex‑esposa por ameaças e por policial por assédio; morte é investigada como suspeita
Advogado da família apresentou boletim de ocorrência de 2009 e decisão por danos morais contra o oficial; caso, registrado inicialmente como suicídio, foi reclassificado pela polícia
A defesa da família de Gisele Alves Santana, soldado da Polícia Militar encontrada morta com um tiro na cabeça, divulgou nesta segunda‑feira (16) denúncias anteriores contra o então companheiro, o tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Segundo o advogado Miguel Silva, os documentos apontam para um histórico de assédio moral, perseguição e ameaças.
Denúncias apresentadas pela defesa
O advogado mostrou um boletim de ocorrência de 2009 registrado por uma ex‑esposa do tenente‑coronel, no qual a mulher relata ameaças e comportamento agressivo. No relato, segundo a defesa, a ex‑esposa acusa o militar de ‘manter vigilância sobre a vítima impedindo que esta se relacione com outra pessoa, ameaçando, inclusive, de morte’.
A defesa também apresentou uma queixa feita por uma policial subordinada ao oficial, que o acusou de perseguição e assédio moral. Nesta situação, afirmou o advogado, houve condenação por danos morais no valor de R$ 5 mil, com execução em andamento.
Circunstâncias da morte e reclassificação do caso
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde estava com o tenente‑coronel, na capital paulista. O oficial estava no local, acionou o socorro e registrou inicialmente o caso como suicídio. Posteriormente, o registro foi alterado para morte suspeita.
Investigação em andamento
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que a Polícia Civil apura o caso como morte suspeita e que a tipificação pode ser revista a qualquer momento, sem prejuízo ao inquérito. A corporação diz ter colhido depoimentos e aguardar laudos complementares para subsidiar as investigações, que correm sob sigilo e com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar.
Posição das partes
O advogado Miguel Silva apresentou os documentos em entrevista à imprensa e ressaltou o histórico que, segundo a defesa, deve ser considerado na apuração. A Agência Brasil tentou contato com a defesa do tenente‑coronel, sem sucesso até o momento.
O caso segue sob investigação formal e com acompanhamento interno na corporação, enquanto a Polícia Civil aguarda exames periciais e complementares para concluir as diligências.





