Esqui paralímpico do Brasil mira 2ª medalha histórica nos 20 km em Tesero na despedida de Milão-Cortina com Cristian Ribera e Aline Rocha em destaque
Último dia dos Jogos reúne seis brasileiros no cross-country; prova começa às 5h (Brasília) e encerra ciclo de competições em 15 de março
A Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina chega ao fim neste domingo (15) e reserva a disputa dos 20 quilômetros do esqui cross-country em Tesero, com largada prevista para as 5h (horário de Brasília). Seis atletas brasileiros entram na pista com a esperança de conquistar mais uma medalha histórica para o país.
Ribera busca repetir pódio e ampliar feito inédito
Cristian Ribera, responsável pela primeira medalha paralímpica de inverno do Brasil — prata no sprint de 1 km na classe para esquiadores sentados — quer agora a segunda colocação no evento de encerramento. Radicado em Jundiaí (SP) e natural de Rondônia, Ribera já subiu ao pódio nos 20 km no Mundial de 2023, em Toblach (Itália), quando ficou com o bronze.
Sobre a estratégia para a prova longa, Cristian comentou ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB): “Já estudamos os tempos dos dez melhores para podermos chegar firmes e fortes nas primeiras colocações. O esporte é individual, mas tem uma equipe enorme trabalhando e é por isso que a gente está evoluindo”. Ribera nasceu com artrogripose, condição que afeta as articulações das pernas.
Revezamento mostra evolução e eleva expectativa
No sábado (14), a equipe brasileira disputou o revezamento do cross-country com Aline Rocha, Cristian Ribera e Wellington da Silva — prova que normalmente exige quatro integrantes (dois homens e duas mulheres), cada um percorrendo 2,5 km em um total de 10 km. Com apenas três atletas, Wellington, único brasileiro classificado que compete em pé, realizou dois trechos de 2,5 km.
A equipe terminou em 7º entre 10 países, com o tempo de 27min00s5 — o melhor resultado do Brasil na história do revezamento. Wellington, que tem má-formação congênita no antebraço esquerdo, comentou: “Hoje [sábado] não senti tanto a respiração, foi mais dor física, principalmente nas pernas. Gostei da prova. Fiz uma boa primeira volta; na segunda, cansei bastante. É muito bom fazer uma prova em conjunto. Sempre treino com o Cristian e com a Aline”.
Outros nomes e chances de pódio
Aline Rocha, paraplégica após um acidente automobilístico, também aparece como promessa de pódio. Ela foi bronze nos 18 km no Mundial de Östersund (Suécia), em 2023 — distância que antecipa a prova dos 20 km no calendário — o que aumenta as expectativas para sua performance neste domingo. Além de Aline, estarão na prova os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena, e o paraibano Robelson Lula, todos buscando a melhor colocação individual para fechar bem a participação brasileira.
Encerramento e legado
A cerimônia de encerramento será em Cortina d’Ampezzo, palco das provas de snowboard, às 16h30. A campanha brasileira em Milão-Cortina deixa sinais claros de evolução — primeiro pódio paralímpico, melhor resultado histórico no revezamento e atletas mais competitivos em provas longas — e alimenta a ambição de conquistar mais espaço no esporte de inverno nas próximas edições.





