Vereadora de Sorocaba é acusada de transfobia após comentários sobre Erika Hilton
Tatiane Costa (PL) criticou a nomeação da deputada federal para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, gerando polêmica e acusações de ódio e discriminação.
A vereadora Tatiane Costa (PL), de Sorocaba (SP), foi alvo de acusações de transfobia após tecer comentários em vídeo divulgado nas redes sociais a respeito da nomeação da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal.
Críticas e acusações de crime
Em sua declaração, Tatiane Costa afirmou que a nomeação representou “o maior desrespeito com todas as mulheres do Brasil”. A vereadora também anunciou que protocolaria uma moção de repúdio, argumentando que “um homem biológico, um trans, não deveria estar ocupando esse espaço (…) Ele não me representa”.
Em resposta às declarações, a vereadora Fernanda Garcia (PSOL) acusou Tatiane Costa de ter feito comentários criminosos e transfóbicos. “Esse desrespeito contra a identidade de gênero da deputada federal é inadmissível. Incita o ódio e a discriminação de pessoas transgênero”, declarou Fernanda Garcia em suas redes sociais.
Posicionamento de Tatiane Costa e repercussão
Questionada pelo g1, Tatiane Costa, em nota, negou ter mencionado o nome de alguém especificamente. Ela reiterou seu posicionamento, afirmando: “Não citei nome de ninguém, apenas disse que um homem biológico, um trans, que não tem útero, não menstrua, diz que somos pessoas que gestam, que é a favor de assassinato de bebês dentro do ventre, que votou contra a redução da maior idade penal para estupradores, não pode representar nós mulheres. Ele não me representa”.
A reportagem tentou contato com a vereadora Fernanda Garcia e com a assessoria da deputada Erika Hilton, mas não obteve retorno até a última atualização. A Câmara de Sorocaba informou que a moção de repúdio ainda não havia sido protocolada e que o conteúdo do texto é desconhecido para avaliação.
Erika Hilton e a presidência da comissão
A deputada federal Erika Hilton (PSOL) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher com 11 votos, em chapa única. Em suas redes sociais, Hilton comentou que o fato de sua eleição “incomodar mais do que a onda de violência contra a mulher que assola nosso país diz muita coisa”. Ela acrescentou que, para as pessoas incomodadas, “o que importa não é defender a vida das mulheres. É ofender o direito à vida das mulheres trans e travestis”.
Hilton também destacou o avanço e a capacidade das mulheres trans em dialogar e representar mulheres, mesmo as diferentes delas, ressaltando que o desejo por vitórias e avanços para todas é maior que as diferenças.
Outras polêmicas envolvendo Erika Hilton
No mesmo dia da eleição de Erika Hilton, o apresentador Ratinho, do SBT, fez uma declaração em rede nacional afirmando que a deputada “não é mulher, ela é trans”. Diante disso, Erika Hilton entrou com um pedido de ação criminal contra Ratinho e também requer R$ 10 milhões de indenização ao apresentador e à emissora na esfera cível.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi consultada sobre a existência de investigações de crime de transfobia envolvendo as pessoas citadas, mas informou não ter localizado registros com estas características.





