Médium é Indiciado por Desviar Milhões de Reais de Sogra e Sogro Sob Alegação de Conselhos Espirituais
Investigação aponta que líder de centro espírita teria manipulado casal idoso, incluindo uso de chá alucinógeno, para obter vultosas quantias em dinheiro.
Um médium, identificado pelas iniciais F. G., foi indiciado pela Polícia Civil sob suspeita de estelionato e abuso contra seus sogros, um casal de idosos. A investigação, que corre em sigilo, aponta que F. G. teria se aproveitado de sua influência como líder espiritual e assessor financeiro para desviar milhões de reais do casal, alegando que as transações eram orientadas por “espíritos” incorporados por ele.
Acusações Detalhadas pelas Filhas do Casal
A denúncia foi formalizada por três das quatro filhas do casal, que relataram à polícia ter o marido da irmã mais nova como o principal articulador das supostas fraudes. Segundo as denunciantes, F. G. utilizava o suposto contato com entidades espirituais, incluindo figuras como Napoleão Bonaparte, Princesa Isabel, Leonardo Da Vinci e Ayrton Senna, para convencer o casal a realizar doações e transferências financeiras expressivas. Entre os episódios citados está o desaparecimento de mais de R$ 5 milhões da previdência da mãe, ao longo de diversos meses e transações.
As filhas também acusam F. G. de atuar para afastá-las dos pais, o que teria levado à dispensa de duas delas da empresa familiar. Uma medida protetiva judicial foi estabelecida para impedir que F. G. se aproxime dos sogros, apesar de ele residir em um apartamento localizado acima da residência do casal.
Manipulação Financeira e Vínculo Familiar
F. G., casado com a filha mais velha do casal desde 2007, atuava como um assessor financeiro e espiritual, com acesso às contas bancárias da sogra e senhas de cartões de crédito. Conforme a denúncia, ele levava o sogro ao centro espírita para receber “aconselhamento de espíritos” antes de tomar decisões importantes sobre a empresa familiar. O processo cita que parte da renda de F. G. vinha de comissões relacionadas a vendas da empresa, baseadas em suas “orientações espirituais”.
Entre as transações consideradas suspeitas estão a doação de R$ 1,4 milhão feita pela sogra a terceiros, uma transferência de R$ 70 mil para a conta da esposa de F. G. e R$ 66 mil para a conta do centro espírita. O vínculo de F. G. com a família começou em 1998, e os problemas teriam se iniciado cerca de um ano depois, com o afastamento de uma das filhas da empresa após acusações feitas pelos supostos espíritos.
Deterioração da Saúde e Controle Financeiro
O pai do casal, diagnosticado com Alzheimer em 2018, não consegue mais se comunicar ou realizar atividades diárias sozinho. Sua esposa, segundo as filhas, teria mantido o laudo médico em sigilo e passado a administrar a empresa com F. G. como assistente financeiro. A proximidade entre F. G. e a sogra se intensificou durante a pandemia de Covid-19, coincidindo com o agravamento dos sintomas de Alzheimer no sogro. As maiores movimentações financeiras teriam ocorrido nesse período.
A mãe passou a apresentar comportamento hostil em relação às filhas, chegando a acusar uma delas de tentativa de envenenamento e de desvio de dinheiro. Em março de 2025, as filhas obtiveram uma medida protetiva, mas F. G. teria continuado em contato com os sogros por meio de funcionários domésticos.
O Papel do Centro Espírita e a Versão do Acusado
F. G. é líder espiritual de dois centros espíritas na Grande Fortaleza, voltados para o ritual do Santo Daime, cujos terrenos foram doados pelos sogros. O casal frequentou esses locais por mais de duas décadas, utilizando a ayahuasca sob orientação de F. G. Em depoimento à polícia, F. G. negou que as mensagens espirituais tenham orientado os idosos a fazerem doações a ele ou a familiares, afirmando que as mensagens eram de “cunho positivo, incentivando à caridade”. Ele confirmou ter acesso às contas bancárias da sogra, mas alegou que uma das filhas também possui acesso. A defesa de F. G. não foi localizada para comentar o caso.





