Aumento Preocupante nos Casos de Violência contra a Mulher
A Justiça brasileira registrou, em 2025, uma média alarmante de 32 casos diários de feminicídio e tentativa de feminicídio. Este número representa um aumento de 16% em relação ao ano anterior, totalizando 11.883 novos casos recebidos pelo Poder Judiciário. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou os dados que reforçam a urgência de ações eficazes no combate à violência de gênero no país.
Sobrevivente Relata Trauma e Luta pela Vida
A assistente administrativa Flávia Araújo, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio há quase três anos, compartilhou sua experiência marcante. Vítima de um atropelamento orquestrado pelo ex-namorado em Niterói (RJ), Flávia descreveu o medo e a sensação de impotência no momento do ataque. As imagens do ocorrido mostram o momento em que ela é arremessada contra um muro após se recusar a subir na garupa do agressor. Fraturada e em choque, Flávia foi salva pela ação rápida de um vizinho, que acionou a polícia e permitiu a prisão em flagrante do agressor. O agressor foi posteriormente condenado a nove anos de prisão.
Medidas Protetivas: Agilidade e Desafios
Diante do cenário sombrio, a defensora pública Thais dos Santos Lima ressalta a importância da medida protetiva de urgência como um instrumento salvador. Em 2025, a Justiça concedeu mais de 620 mil pedidos de medida protetiva, com o tempo médio para sua obtenção reduzido para quatro dias, uma melhora significativa em relação aos 16 dias registrados em 2020. No entanto, este prazo ainda é o dobro da meta estabelecida pela Lei Maria da Penha, que prevê 48 horas. A juíza Renata Gil enfatiza que, além da legislação, a sociedade tem um papel crucial, incentivando a participação de condomínios e estabelecimentos comerciais em mecanismos de denúncia.
A Necessidade de uma Resposta Coletiva
O aumento contínuo dos casos de feminicídio no Brasil, que a cada ano bate recordes, exige uma reflexão profunda sobre as ações necessárias. Especialistas apontam que a legislação, embora importante, precisa ser complementada por uma conscientização e engajamento social mais amplos. A história de Flávia Araújo, que sobreviveu graças à intervenção de um terceiro, serve de exemplo, mas a realidade para muitas mulheres ainda é de isolamento e vulnerabilidade. A busca por medidas protetivas e a denúncia de situações de violência são passos fundamentais para evitar que mais mulheres se tornem vítimas fatais.





