Passageiros que planejavam embarcar no trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) na manhã desta segunda-feira (9), em Cariacica (ES), foram surpreendidos com o cancelamento da viagem. O motivo é uma manifestação realizada por cerca de 700 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que bloqueiam os trilhos na região de Tumiritinga, em Minas Gerais.
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Relatos de descaso e falta de assistência
A incerteza tomou conta da Estação Pedro Nolasco. Passageiros relataram que, inicialmente, a orientação era de que haveria apenas um atraso, mas o cancelamento foi confirmado logo em seguida.
A turista mineira Marluce Maria Sampaio, que viajava com a família, incluindo quatro adolescentes e uma criança, expressou indignação. “Reembolsaram no cartão de crédito, mas há um prazo e o dinheiro não cai agora. Não temos onde ficar”, lamentou.
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Felipe Taloni, que seguia para Governador Valadares com a esposa grávida, quatro filhos e a mãe, também criticou a logística. “O pior é a falta de assistência. Preciso trabalhar em Valadares e estamos presos nessa situação”, afirmou.
Motivação do movimento
A mobilização faz parte de uma jornada que marca os dez anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Além do bloqueio em Tumiritinga, outras 300 famílias ocuparam terras da Samarco em Anchieta (ES). As manifestantes cobram justiça, reparação ambiental na bacia do Rio Doce e a destinação de áreas para a Reforma Agrária, denunciando a impunidade e os impactos da mineração.
Em fevereiro, protestos semelhantes ocorreram em Resplendor e Itueta contra a retomada da captação de água do Rio Doce, evidenciando a tensão constante na região desde o desastre de 2015.
Posicionamento da Vale
Em nota, a Vale confirmou a suspensão da circulação nos dois sentidos da ferrovia “devido a uma manifestação que interdita a linha férrea”, ressaltando que o ato não possui relação direta com a operação ferroviária.
A companhia orienta que os passageiros afetados busquem o reembolso integral ou a remarcação das passagens. Mais informações podem ser obtidas pelo canal de atendimento 0800 285 7000. O movimento social afirma que o acampamento nos trilhos permanecerá até que as pautas sejam atendidas.





