Pablo Marçal se filia ao União Brasil e se declara ‘à disposição’ para ser candidato, apesar de inelegibilidade
Empresário busca reverter condenações judiciais para disputar eleições de outubro; caso contrário, promete usar sua popularidade para ajudar o partido.
Filiação e Disponibilidade para Candidatura
O ex-coach e empresário Pablo Marçal oficializou sua filiação ao União Brasil nesta sexta-feira (6), em São Paulo. Durante o evento, Marçal declarou estar “à disposição para servir” ao partido nas próximas eleições, incluindo a possibilidade de se candidatar a algum cargo.
“Quero que todos nesse partido contem comigo. Não tenho ego com cargo, isso não me motiva. Se vocês dois [Antônio Rueda e Ciro Nogueira, presidentes do União e do PP] falarem: ‘Você não sai candidato’, fica aqui registrado publicamente que não vou sair. Eu vou servir todo mundo e não tenho problema com isso. Se for para ser qualquer coisa, deputado, qualquer cargo, me coloca que eu não estou me importando”, afirmou, em discurso ao lado dos dirigentes da Federação União Progressista.
Alternativas em Caso de Inelegibilidade
Marçal foi declarado inelegível em três processos, mas conseguiu um acordo em um deles. Nas outras duas condenações, ainda há espaço para recursos. Caso não consiga reverter as decisões judiciais a tempo de ser candidato, o empresário afirmou que poderá auxiliar o União Brasil de outras formas.
“Fazer essa agremiação, que já é a mais poderosa, a ter milhões de pessoas se filiando, trazer pessoas que jamais viriam se eu não entrasse. Trazer meu ativo de 1 milhão, 719 mil votos que eu tive em São Paulo e colocar à disposição deles”, explicou em coletiva de imprensa, referindo-se à sua expressiva votação na campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024.
Pedido de Desculpas a Ricardo Nunes
Durante seu discurso de filiação, Pablo Marçal aproveitou para pedir desculpas públicas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pelos ataques feitos durante a campanha eleitoral de 2024, quando foram adversários. “Eu te peço perdão publicamente. Porque não há união sem arrependimento, não há união se a pessoa não tiver humildade e não há união se a gente não tiver foco no objetivo juntos”, disse.
Marçal admitiu ter exagerado no tom durante a corrida eleitoral para chamar atenção. “Depois que eu cresci [nas pesquisas], todo mundo veio bater em mim, e eu acabei devolvendo com muita força em você. Exagerei, passei da conta. Você não vai ter nunca mais um cara como eu contra você”, declarou, prometendo uma nova postura.
As Condenações na Justiça Eleitoral
A principal condenação contra Pablo Marçal, que o torna inelegível até 2032, é por uso indevido dos meios de comunicação, resultando em multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial durante a campanha de 2024. Essa decisão, já julgada em segunda instância pelo Tribunal Regional Eleitoral de SP (TRE-SP), ainda pode ser objeto de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo a Lei da Ficha Limpa, condenações em segunda instância tornam o político inelegível por 8 anos, mesmo que ainda haja recursos. Marçal, no entanto, argumenta que a inelegibilidade só se configura após trânsito em julgado, ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso.
Além disso, Marçal foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) por divulgar um laudo falso contra ele. Embora haja um acordo com Boulos para suspender o processo por dois anos, a Justiça Eleitoral pode retomar a tramitação e considerar a inelegibilidade.
O empresário também firmou um acordo com o apresentador José Luiz Datena (PSDB) para encerrar processos judiciais decorrentes de um incidente durante um debate eleitoral.





