Insegurança é Rotina para Mulheres
Uma pesquisa alarmante divulgada aponta que sete em cada dez mulheres já vivenciaram algum tipo de assédio, seja moral ou sexual. O levantamento, intitulado “Viver nas Cidades: Mulheres”, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, entrevistou 3,5 mil pessoas em dez capitais brasileiras. Os resultados indicam que a insegurança se tornou uma constante na vida das mulheres, com as ruas e o transporte público sendo os ambientes mais perigosos.
Ruas e Transporte Público: Cenários de Hostilidade
De acordo com o estudo, 54% das mulheres relataram ter sofrido assédio em ruas e espaços públicos, como praças e parques. O transporte público aparece em seguida, com 50% das menções, seguido pelo ambiente de trabalho, citado por 36% das entrevistadas. Bares e casas noturnas (32%), ambiente familiar (26%) e transporte particular (19%) também figuram na lista de locais onde o assédio ocorre. Uma parcela de 5% das mulheres afirmou ter sido vítima em todos os seis espaços pesquisados.
A Busca por Justiça e Proteção
Diante desse cenário, a pesquisa revela que a maioria das mulheres deseja o aumento das penas para agressores (55%), seguido pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas (48%) e agilidade na investigação de denúncias (37%). Patrícia Pavanelli, diretora da Ipsos-Ipec, destacou a necessidade de combinar a demanda por punição com a criação de uma rede de apoio mais eficaz e a aproximação entre a população e os agentes de segurança.
Visões Divergentes sobre Combate à Violência e Tarefas Domésticas
Especialistas debatem as melhores estratégias para o combate à violência de gênero. Enquanto alguns defendem o aumento das penas, outros, como a promotora Fabíola Sucasas, argumentam que a via punitivista, por si só, não resolverá o problema, apontando que o feminicídio, mesmo com as penas mais altas, continua a aumentar. A pesquisa também abordou a divisão de tarefas domésticas, revelando uma discrepância na percepção entre homens e mulheres: enquanto 39% dos entrevistados acreditam que os afazeres são responsabilidade de todos, com as mulheres realizando a maior parte, 47% dos homens consideram que as atividades são divididas igualmente, percentual que cai para 28% entre as mulheres.





