EUA descartam diálogo e Irã foca em retaliação
O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no último fim de semana, mostra sinais de prolongamento, com ambos os lados descartando a diplomacia e sinalizando para uma escalada militar. O presidente americano, Donald Trump, declarou ser “tarde demais” para negociações, afirmando que a capacidade militar e a liderança iraniana foram “praticamente destruídas” após quatro dias de bombardeios. Trump previu um conflito de “quatro ou cinco semanas”, mas garantiu a prontidão dos EUA para sustentar os ataques por mais tempo.
Do lado iraniano, a resposta tem sido de ameaças de retaliação contra centros econômicos da região e o fluxo de energia global, com a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz. O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahraini, declarou que a “única linguagem para dialogar com os Estados Unidos é a linguagem da defesa”, indicando um foco na proteção do país.
Ataques miram sucessão iraniana e edifícios dos EUA
Na terça-feira (3), os ataques se intensificaram. Mísseis israelenses atingiram a Assembleia dos Peritos em Qom, órgão responsável por escolher o próximo líder supremo do Irã, em uma ofensiva drástica que visaria a sucessão após a morte do líder Ali Khamenei. Segundo a imprensa israelense, os 88 aiatolás da assembleia estariam presentes, mas não há confirmação se foram atingidos.
O Irã, por sua vez, reivindicou um bombardeio com drones contra o consulado dos Estados Unidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Washington confirmou um incêndio controlado nas proximidades, mas negou vítimas. Este seria o terceiro ataque a representações diplomáticas americanas no Oriente Médio, somando-se a incidentes em Erbil (Iraque) e Riad (Arábia Saudita).
Impasse no Estreito de Ormuz e impacto econômico
O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, é uma das principais ameaças iranianas. O regime persa prevê que o barril de petróleo possa saltar para US$ 200 com a crise energética explorada como arma de guerra. O estreito é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Em resposta, Donald Trump anunciou que a Marinha americana escoltará navios mercantes para garantir o livre fluxo de energia. Além disso, os EUA oferecerão seguro contra risco político e garantias financeiras para o comércio marítimo na região. O conflito já reflete nos mercados globais, com o dólar em alta e o Ibovespa em queda.
Bilaterais e perdas no conflito
O conflito, que começou após bombardeios americanos e israelenses que teriam matado o líder supremo Ali Khamenei e outras autoridades iranianas no sábado (28), já deixou um rastro de perdas. De acordo com o Crescente Vermelho, 787 pessoas morreram no Irã. Pelo menos seis soldados americanos também foram mortos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “não vamos ter uma guerra sem fim”, enquanto Trump mantém a postura de ofensiva contínua. A Guarda Revolucionária iraniana alertou que as retaliações focarão nos polos financeiros do Oriente Médio caso a ofensiva contra o Irã persista.





