Reforma com atraso e protestos
Moradores de Feijó, no Acre, demonstraram sua insatisfação com a demora na entrega do hospital municipal, cujas obras estão em andamento há quase três anos. A situação motivou o fechamento de um trecho da BR-364 por três dias, em protesto por melhorias na saúde e a conclusão da unidade hospitalar. A via foi liberada no fim da tarde de 22 de fevereiro.
Representantes da comunidade se reuniram com deputados na Comissão de Saúde Pública e Assistência Social da Aleac (Assembleia Legislativa do Acre) nesta terça-feira (3) para cobrar celeridade. A reforma na unidade iniciou em agosto de 2023, com a primeira parte prevista para ser entregue em maio de 2025. No entanto, a primeira empresa contratada teve seu contrato rescindido no ano passado, e a atual responsável pela obra iniciou os trabalhos em 2025.
Promessas e novos prazos
Pamela Moraes, gestora de organismos de políticas para as mulheres do município, relatou que a população precisa se deslocar para cidades vizinhas em busca de atendimento médico devido à paralisação das obras. “O primeiro documento que temos é de dois anos atrás, com previsão de entrega para maio de 2025. Como não foi entregue, fizemos um segundo movimento, realizamos uma audiência pública, foi dado um novo prazo e, mais uma vez, descumprido”, declarou.
Conforme a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), a expectativa é que a entrega da primeira etapa do hospital ocorra até 30 de abril deste ano. Esta definição foi um dos encaminhamentos da reunião. Outro ponto discutido foi a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores no dia da entrega da obra.
Investimento e desafios na obra
A obra conta com um investimento superior a R$ 5 milhões. Segundo o secretário de Obras Públicas, Ítalo Lopes, parte dos atrasos ocorreu devido à aquisição de dutos e equipamentos de ventilação produzidos fora do estado. “Até o final de março a gestão da saúde começa a retornar para o prédio para reorganização interna, e até o final de abril o primeiro bloco estará disponível para atendimento à população”, assegurou.
Lopes também comentou que a reforma de um hospital em funcionamento é um dos cenários mais complexos da administração pública, e que uma nova construção poderia ter sido mais viável. A obra será concluída em etapas, com o objetivo de evitar que a paralisação se prolongue indefinidamente.
Polêmicas e casos de negligência
Além da demora na reforma, moradores já haviam denunciado suposta negligência médica e problemas estruturais no hospital. Em janeiro de 2024, a família de Maria Daiane Souza da Silva, 25 anos, acusou a equipe médica da maternidade de negligência após sua morte. Em maio de 2025, Diogo Silva Albuquerque, 12 anos, faleceu devido a sepse associada a celulite, e sua família também apontou negligência. A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) afirmou que não houve omissão ou demora no atendimento em ambos os casos.
Em fevereiro de 2024, o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu um procedimento administrativo para investigar uma suposta falha do hospital em se negar a realizar o aborto de um feto anencéfalo.





