Jovem é ameaçado após ser confundido com suspeito de estupro coletivo em Copacabana
João Gabriel Bertho, de 21 anos, tem nome similar a um dos procurados pela polícia e relata ter recebido ameaças e ter sua família exposta em redes sociais.
Um ex-atleta de remo de 21 anos, morador de Copacabana, no Rio de Janeiro, está vivendo momentos de terror após ser confundido com um dos suspeitos de um estupro coletivo ocorrido no bairro. João Gabriel Bertho, que pratica remo, tem sido alvo de ameaças e difamação nas redes sociais por ter um nome muito parecido com o de João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, um dos quatro indiciados e foragidos pela polícia pelo crime.
Coincidência de nomes gera pânico e ameaças
A semelhança dos nomes, somada ao fato de ambos residirem em Copacabana, levou à confusão. Grupos na internet passaram a divulgar fotos do ex-atleta, incitando violência contra ele. A mãe de João Gabriel Bertho, Melissa Salgado, relatou ao g1 que a família teve que se esconder e que está passando por “momentos de terror”. “Tivemos que colocar fotos grandes do meu filho para que as pessoas pudessem ver que é diferente do outro menino. São idades diferentes também”, desabafou Melissa, que já deixou o bairro por medo de retaliações.
Família busca esclarecer a situação e proteger o jovem
A família procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar a coincidência de nomes e tentar frear a onda de ódio. “Meu filho está com medo pela vida dele e pela minha também. Queremos que meu filho não seja vítima e que culpados sejam presos”, disse a mãe, que iniciou uma campanha nas redes sociais para que parem de compartilhar informações erradas e para limpar a “bagunça” que está afetando a vida do filho.
Entenda o caso de estupro coletivo
O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro. Quatro jovens adultos – Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho – foram denunciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas e são considerados foragidos. Um adolescente, que teria perguntado à vítima sobre marcas de agressão, também é investigado em separado na Vara da Infância e Juventude.
Relato da vítima e defesa de um dos acusados
A vítima, uma adolescente de 17 anos, relatou em depoimento ter sido convidada para ir a um apartamento por um colega de escola. Ao chegar, encontrou o colega e mais três rapazes. Segundo seu relato, ela teria sido forçada a atos sexuais e agredida fisicamente. Imagens de segurança e laudo pericial confirmam lesões e a presença de sangue. A defesa de João Gabriel Xavier Bertho nega veementemente o estupro, argumentando que mensagens trocadas entre a jovem e o amigo indicam a presença prévia de outros rapazes e que a jovem teria consentido com a situação. A defesa também contesta o fato de seu cliente não ter sido ouvido pela polícia e questiona a não consideração de imagens que mostram a jovem se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço.





