Brasileiro relata momentos de pânico em Teerã
O tricampeão mundial de jiu-jitsu, William Salvino, vivenciou momentos de puro terror em Teerã, Irã, onde treinava a seleção do país. Ao ouvir os primeiros bombardeios, o prédio onde estava estremeceu. “Eu levantei meio atordoado, sem saber onde estava. Muitas pessoas correndo, com a mão na cabeça”, relatou em uma mensagem de voz para sua noiva, Rita Galvez. Após o incidente, William ficou incomunicável por horas, aumentando a angústia de sua família no Brasil. Ele descreveu a experiência como um pesadelo, oscilando entre choro e descrença.
Iraniana exilada teme pela família em meio a bloqueios de comunicação
A mesma apreensão é sentida por Saena Sadighiyan, professora de sociologia iraniana exilada na França desde 2017. Com a família no Irã, ela enfrenta a dor de não ter notícias. “Tudo está cortado, não posso falar com eles. Em cidades menores, às vezes há conexão pelo WhatsApp, mas na capital, tudo está bloqueado”, lamentou. Saena descreveu a falta de luz, internet e sinal, com a população recorrendo a telefones compartilhados a cada poucas horas para tentar contato.
Israelenses buscam refúgio em bunkers e relatam rotina de alerta
Enquanto isso, em Tel Aviv, Israel, a população também vive sob a ameaça constante de ataques. Rachel Sáfidi, ex-sargento do exército israelense, contou ao Fantástico como se protege em bunkers. O governo envia alertas em diversos idiomas para os celulares, avisando sobre a iminência de mísseis. “Você precisa chegar antes de escutar o boom, porque o boom é ou a interceptação no ar, ou é que realmente atingiu um alvo aqui em Israel”, explicou. Ela relatou ter corrido para um abrigo antibombas como nunca antes, descrevendo um ambiente de medo, com crianças chorando e baratas no local.
Fuga e cancelamentos: o impacto na mobilidade e a esperança de retorno
Em meio ao caos, William Salvino conseguiu um carro e um motorista para tentar chegar à Turquia, uma travessia arriscada, mas considerada sua única opção. Após quase cinco horas sem comunicação, ele ligou para a noiva informando sobre a fuga, momentos após um novo bombardeio. A boa notícia veio no dia seguinte: William chegou à Turquia após nove horas de viagem. No entanto, o retorno ao Brasil ainda é incerto, com cerca de 1.600 voos cancelados na região do Oriente Médio desde o início dos ataques. A ofensiva iraniana causou destruição e pânico em vários países, com incidentes registrados em Dubai e Abu Dhabi.
Comemorações e cautela no Brasil: divisões de opinião sobre o conflito
No Brasil, a situação gerou reações diversas. Um grupo de iranianos em São Paulo celebrou a queda da ditadura islâmica, expressando esperança de poder retornar ao país após anos de exílio. “Essa foi uma sensação que eu tive. Eu posso voltar depois de 12 anos. Visitar a minha família, de visitar a minha cidade, visitar os amigos que eu deixei para trás”, comentou Maryam, chefe de cozinha. Contudo, Saena Sadighiyan adota uma postura de cautela. “Porque toda a situação é complicada, é uma guerra. Uma guerra sempre vem com complicações, sempre vem com controvérsia, sempre tem que estar tomada com muita cautela”, ponderou.





