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Filogônio, artista plástico, poeta, diretor de teatro e escritor. Saiba quem foi esse colatinense de coração

Colatina em Ação por Colatina em Ação
25 de abril de 2021
Em Brasil, Cultura
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Busto de Filogônio Barbosa de Aguilar no Terminal Rodoviário de Colatina - Foto: Augusto Zulske

Busto de Filogônio Barbosa de Aguilar no Terminal Rodoviário de Colatina - Foto: Augusto Zulske

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Portal Colatina em Ação – 26 de abril de 2021

Busto de Filogônio Barbosa de Aguilar no Terminal Rodoviário de Colatina –
Foto: Augusto Zulske

Biografia de autoria do Professor Olney Braga

O artista plástico Filogônio Barbosa de Aguilar nasceu em 10 de junho de 1934 em Malacacheta (MG). O interesse pela pintura surgiu cedo, ainda menino, aos 14 anos, e logo aos 16 ele realizou a sua primeira exposição. A partir daí suas telas multiplicaram-se e somando em toda a sua trajetória de mais de 70 anos de pincéis e tintas elas já chegam a 5 mil, e mostradas em exposições nacionais e internacionais realizadas no Brasil e em diversos países de outros continentes.

As obras revelam linhas tradicionais e ao mesmo tempo modernas, com técnica voltada para óleo sobre tela, acrílica sobre eucatex e murais, sempre entre o impressionismo e o surrealismo, o sacro e o profano, sempre utilizando uma imensa variedade de diferentes e intensos tons de cores.

Na visão dos apreciadores de sua arte, elas apresentam uma profundidade de detalhes, traços e impressões únicos e reveladores, que exigem olhares fixos pelas exuberâncias das cores e contornos. Revelam a sensibilidade do pintor e sua cumplicidade com as próprias ideias que transforma em arte e transporta para quem a aprecia. Tudo puro encantamento.

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Tanto as artes plásticas quanto a literatura foram intensamente praticadas por Filó, enquanto que ele, formado em Letras pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina (Fafic), exercia sua profissão de professor de Língua Portuguesa, Redação e Expressão, Literatura Brasileira e Educação Artística na então Escola Agrotécnica Federal, hoje IFES(Instituto Federal do Espírito Santo).

ATIVIDADES

TEATRO

Nome do grupo: Grupo Teatral “São Vicente de Paulo”. Décadas: 60, 70 e 80.

Locais: Cine Idelmar, Colégio Marista, Praças públicas, Fundos de quintal e cidades vizinhas.

Algumas peças representadas: “Lágrimas de Homem” (estreia em 1961 – Cine Idelmar); “Os dois sargentos”, “A Escrava Isaura”, “A Dama da Madrugada”, “Barco sem pescador”, “Um juramento a longo prazo”, “Sinhá Moça chorou”, “O Conde de Monte Cristo”, “O Marido da deputada”, “A Herança da Baronesa”, “O Mártir do Calvário”, “Que o Céu me condene!”, “Sua Alteza vai chegar” e tantas outras, inclusive no teatro infantil.

Finalidades: culturais e filantrópicas. As bilheterias eram destinadas à manutenção do grupo e a percentagem líquida era destinada à Sociedade São Vicente de Paulo e às Damas de Caridade, de Colatina, além de outras entidades do gênero que assumissem a divulgação da peça cujas parcerias sempre resultavam em sucessos de numerosas plateias que superlotavam o Cine Idelmar naquelas ocasiões.

O descaso dos poderes públicos não conseguia derrotar o sonho cultural do grupo “São Vicente de Paulo” cujo elenco já se achava bem encorpado por várias figuras representativas da nossa sociedade, choque cultural que se disseminaria pelas ribaltas infantis quando, então, embora transitório, recebeu apoio logístico do então prefeito Paulo Stefenoni, o que muito contribuiu para que o “teatrinho” fundos de quintal desenvolvesse seus primeiros passos, com a efetiva participação de Nayde Lempê, saudosa esposa de Filogônio, incansável operária do lar, a qual, além de suas tarefas caseiras, arcava, prazerosamente, com o contrapeso de várias noites indormidas na confecção de vestuários e acessórios dos atores mirins. Filogônio releva, também, para a inesquecível figura do saudoso amigo Cornélio de França Mello, incomparável ator, que tanto alegrou as plateias colatinenses e de outras cidades vizinhas.

Foi a fase mais profícua das atividades cênicas de Filogônio, que terminava o seu curso de Letras na FAFIC e se achava contratado pela Escola Agrotécnica Federal de Colatina, hoje Instituto Federal do Espírito Santo – IFES – Campus Itapina. Ali, naquela instituição plantada nos freixos do Rio Doce, permaneceria ele por 30 anos consecutivos envolvido no mesmo azáfama, visto que a Literatura, também, já vinha cosquejando sua mente.

Poesia

Não obstante a carga horária de 40 horas semanais destinadas às disciplinas curriculares obrigatórias, encontrou terreno fértil para, voluntariamente, dar continuidade a outras tarefas extraclasse, não remuneradas, garimpando os talentos, tanto nas artes cênicas como na literatura, uma vez que, além de peças teatrais e festivais de música, realizava-se, também, anualmente, o tradicional “concurso de poesias”, com a participação de diversas escolas do 2º grau de Colatina. Mas não se encerrariam aí as atividades do irrequieto Filogônio.

Pintura e Literatura

Flagrado pela compulsória, não conseguiu “escapar” de uma vigilante aposentadoria que o afastaria dos palcos e das salas de aula da Agrotécnica. Filó partiu, então, para a Pintura e a Literatura, onde, novamente, em dedicação exclusiva e “Extra Exclusiva” entre uma e outra exposições, atendendo a encomendas, escreveu sete livros:

“Náufragos da Esperança” (Livro de estreia – 1999); “Tripulantes da Noite”; “O Diamante Azul”; “Cinderela dos Cafezais”; “A Bola do Juízo” (contos”; “”Fofocas da Hélade Perdida”; “O Pássaro Dourado”(poesias), cujas publicações se devem, inicialmente, ao espírito altruístico do Professor Lézio Sathler, seguido da inestimável participação do então prefeito de Colatina, João Guerino Balestrassi, na sequência das publicações.

Agora seria a vez do Pintor voltar novamente à cena, mergulhando, definitivamente, no mundo das tintas e das cores.

O grande volume de obras foi executado nessa fase, sendo impossível enumerar a exata quantidade e destinação delas. “Relevo, para a Via Sacra da Igreja de São Silvano” e outras igrejas; supermercados, restaurantes, abrangendo vários temas.

Foi contratado por uma rede de supermercados de Vitória para, através da Pintura, resgatar parte da história da Capital, tendo como fonte fotografias do início do século passado, obra cuja execução alongou-se por mais de dois anos, o que lhe valeu a outorgado “Título de Cidadão Vitoriense”, conferido pela Câmara Municipal em cerimônia solene no Teatro “Carlos Gomes”, na noite de 13 de setembro de 2001.

Seguiram-se outras obras de considerável porte: “A Bíblia em Cores”, acervo cultura da Loja Maçônica “Nilo Peçanha”, aberto à visitação pública; “Antigo cais de São Mateus” (mural); “Murais de Conceição da Barra” (resgates); “Duas faces da Justiça” (Tribunal Pleno do Espírito Santo); obras em Governador Valadares, Teófilo Otoni, Belo Horizonte, Porto Seguro (BA), Rio de Janeiro e Cachoeiro de Itapemirim, inclusive em outros países: México, Estados Unidos, Austrália e Alemanha.

Ainda hoje, a caminho dos 87 anos de idade, com o mesmo bom humor de sempre, Filogônio revela: – “Durante estes últimos 70 anos de atividades, acabei esquecendo-me de mim. Não fiquei rico… nem remediado. Remendado, sim.” Colatina, 31 de julho de 2020.

Professor Olney Braga fala sobre a homenagem que fez ao artista plástico

“No livro que acabei de escrever sobre Colatina, homenageio o meu grande amigo Filó, que foi a nossa maior expressão cultural. Na homenagem, todos os aspectos culturais em que ele se envolveu estão contemplados. O livro, cujo título é Colatina: ontem, hoje e sempre, no meu coração, deverá ser lançado na primeira semana de agosto.”

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Morre, em Colatina, o artista plástico Filogônio de Aguilar

Tags: artista plásticocolatinadiretor de teatroescritorfilogôniopoeta
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