A partir desta segunda-feira (2), os municípios de Itueta e Resplendor, no Leste de Minas Gerais, deixam de receber o abastecimento emergencial por caminhões-pipa. A Samarco Mineração S.A. anunciou o encerramento do serviço, retomando a captação direta de água do Rio Doce, decisão que desencadeou uma onda de protestos e o bloqueio da linha férrea na região.
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O cronograma da retomada
Em comunicado enviado às prefeituras e ao Comitê Estadual de Minas Gerais, a mineradora informou que a transição ocorrerá entre os dias 2 e 10 de fevereiro. A medida baseia-se no Acordo Judicial de Reparação Integral, homologado pelo STF em outubro de 2024.
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Segundo a Samarco, testes de tratabilidade realizados nas Estações de Tratamento de Água (ETA) de ambas as cidades confirmaram a viabilidade do consumo humano. Os estudos foram validados pela AECOM, auditoria independente que fiscaliza o cumprimento das obrigações decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.
População reage com manifestações e bloqueios
A notícia não foi bem recebida pela comunidade local. Neste domingo (1º), manifestações pacíficas foram registradas na Orla Sul de Resplendor e na praça central de Itueta. No entanto, o clima de tensão escalou: manifestantes atearam fogo em trilhos da linha férrea, impedindo o tráfego de trens de carga e o transporte de passageiros.
“A população pede respeito e transparência. Existe um medo real sobre a qualidade dessa água e os impactos na saúde a longo prazo”, afirmou um dos líderes do movimento.
Impasse e segurança hídrica
Enquanto a mineradora assegura a potabilidade da água através de análises laboratoriais, os moradores alegam insegurança e falta de diálogo. O fim do abastecimento por caminhões-pipa marca um ponto crítico na transição pós-desastre, sob o olhar atento de órgãos de controle que acompanham se a qualidade da água do Rio Doce atingiu, de fato, os níveis de segurança exigidos pelo acordo judicial.





