A morte de Orelha, um cachorro comunitário em Santa Catarina, transcendeu o luto local para escancarar uma realidade frequentemente invisibilizada: a violência contra animais como um sintoma grave de falhas sociais. O animal, que era cuidado coletivamente e simbolizava a convivência harmoniosa no bairro, foi vítima de uma agressão brutal que chocou o país e mobilizou redes sociais em busca de justiça.
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O episódio não é isolado, mas sim a ponta de um iceberg de maus-tratos, abandono e negligência que ocorrem diariamente em todo o território nacional. A história de Orelha tornou-se o rosto de milhares de animais cujos sofrimentos não chegam às manchetes, evidenciando que a crueldade contra seres vulneráveis é um indicador alarmante de uma cultura que ainda falha em respeitar a vida em suas diversas formas.
A Conexão entre Violência Animal e Social
Especialistas e ativistas apontam que a agressão a animais raramente é um ato desconectado. Estudos sobre a “Teoria do Elo” sugerem que a crueldade contra animais é frequentemente um preditor de violência interpessoal. Ao tratar o crime contra Orelha como algo “menor”, a sociedade ignora um sinal claro de desajuste social e psicológico dos agressores.
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O Papel da Denúncia e Mobilização
A repercussão do caso trouxe à tona a importância fundamental da vigilância comunitária. Sem a rápida atuação dos moradores e a pressão exercida sobre as autoridades, o crime poderia ter caído no esquecimento e na impunidade.
A proteção aos animais, garantida pela Lei 14.064/20 (Lei Sansão) que prevê reclusão de dois a cinco anos para maus-tratos a cães e gatos, depende da coragem da população em denunciar. Orelha deixa um legado de conscientização: proteger os animais é, em última instância, uma forma de proteger a própria sociedade contra a escalada da barbárie.





