Uma ação da Polícia Militar Ambiental chocou a população do Norte do Espírito Santo nesta sexta-feira (30). Equipes da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) flagraram o esquartejamento de um tubarão-martelo, espécie criticamente ameaçada de extinção, sendo realizado em plena via pública.
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A intervenção policial ocorreu após vídeos circularem nas redes sociais denunciando a prática ilegal. Ao chegarem ao local indicado, os militares confirmaram a veracidade das imagens: o animal já estava abatido e partes do corpo haviam sido separadas. O cenário tornou-se ainda mais grave quando os agentes constataram que se tratava de uma fêmea gestante, cujos filhotes foram retirados durante o abate.
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Identificação da Espécie e Prisões
Para garantir o rigor técnico da ocorrência, a identificação do animal foi confirmada por um especialista do IFES – Campus Piúma. O professor identificou o espécime como sendo da espécie Sphyrna mokarran, popularmente conhecida como tubarão-martelo-grande, protegida por leis ambientais severas devido ao risco de desaparecimento na natureza.
“A pesca, o transporte e a comercialização dessa espécie são crimes federais, agravados neste caso pelo estado reprodutivo do animal”, destacou a guarnição.
Três homens envolvidos na ação foram detidos em flagrante. Eles foram conduzidos, juntamente com todo o material apreendido e os restos mortais do animal, para a Delegacia de Polícia Civil de São Mateus. Os suspeitos devem responder por crime contra a fauna, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98).
O tubarão-martelo-grande (Sphyrna mokarran) desempenha um papel vital no equilíbrio dos oceanos, e sua perda gera um efeito cascata no ecossistema marinho.
O Papel de Predador de Topo
Como predadores de topo de cadeia, esses tubarões são responsáveis pelo “controle de qualidade” do mar. Eles se alimentam de peixes e raias, mantendo essas populações sob controle e eliminando indivíduos doentes ou fracos. Sem eles, as populações de presas crescem desordenadamente, o que pode levar ao esgotamento de outros recursos marinhos, como corais e bancos de algas.
Vulnerabilidade Biológica
A tragédia ocorrida no Norte do ES é ampliada pela biologia da espécie:
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Ciclo de vida lento: Eles demoram muitos anos para atingir a maturidade sexual.
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Gestação longa: O período de gravidez é extenso, e o nascimento de poucos filhotes por vez torna a recuperação da população extremamente difícil após episódios de caça.





