Janeiro é tradicionalmente o mês mais quente do ano e, nos centros urbanos, as altas temperaturas tendem a ser ainda mais intensas. Esse cenário é agravado pelo fenômeno das ilhas de calor urbano, em que áreas densamente construídas chegam a registrar temperaturas significativamente superiores às zonas rurais do entorno. No Espírito Santo, cidades como Colatina, Cachoeiro de Itapemirim, São Gabriel da Palha e Alegre convivem historicamente com episódios de calor extremo, o que reforça a urgência do debate sobre soluções urbanas mais adequadas ao clima.
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Segundo a presidente do CAU-ES, Priscila Ceolin, projetos que priorizam a arborização de vias públicas, praças e áreas de convivência, aliados ao uso de coberturas verdes e à criação de corredores de vento, contribuem para reduzir a incidência direta do sol e melhorar o microclima urbano.
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Ela explica que características como a alta concentração de edificações, a baixa cobertura vegetal e o uso predominante de concreto e asfalto influenciam diretamente a elevação das temperaturas nas cidades, especialmente durante as ondas de calor. Esses materiais possuem alta capacidade de absorção e retenção térmica, mantendo a radiação acumulada e aquecendo o ambiente urbano mesmo após o pôr do sol.

Diante desse cenário, a presidente destaca a urgência de projetos e do planejamento urbano como estratégias eficazes para minimizar os efeitos do calor intenso e ampliar o conforto térmico da população. A presença de árvores e vegetação em ruas, praças, parques e fachadas, por exemplo, contribui para a redução da temperatura ambiente de diversas formas, seja pelo sombreamento, pelo bloqueio direto da radiação solar ou pela evapotranspiração, processo que libera vapor d’água e resfria o ar ao redor.
Priscila também ressalta que o uso de materiais com alta refletividade, como telhados e pavimentos claros ou revestidos com camadas que refletem mais a luz solar, ajuda a diminuir o aquecimento das superfícies urbanas. Estudos indicam que essas soluções, conhecidas como cool roofs e cool pavements, reduzem a temperatura das superfícies e, consequentemente, a necessidade de climatização artificial no interior das edificações.
Outra estratégia relevante está relacionada à orientação das construções e à proporção entre altura e largura dos espaços públicos, fatores que interferem diretamente na circulação do ar e na dissipação do calor. Um planejamento urbano que favoreça a ventilação natural pode reduzir o acúmulo térmico nos chamados “canyons urbanos”, formados por vias estreitas ladeadas por edificações altas.
Para a presidente do CAU-ES, esse debate precisa estar integrado às políticas públicas de desenvolvimento urbano. “Pensar a cidade a partir do clima é pensar a saúde da população, o consumo de energia e a qualidade de vida nos bairros. Ambientes urbanos mais frescos reduzem problemas respiratórios e cardiovasculares, diminuem a dependência de aparelhos de ar-condicionado e tornam os espaços públicos mais convidativos à convivência. O crescimento das cidades exige que repensemos o papel do projeto arquitetônico e urbanístico frente às mudanças climáticas. Não se trata apenas de estética, mas de reduzir impactos concretos do calor, proteger as pessoas e tornar as cidades mais resilientes, inclusivas e agradáveis. Isso passa pela adoção de paredes e coberturas verdes, pela criação de corredores de vento e pelo fortalecimento da infraestrutura verde-azul, que combina vegetação e elementos hídricos no espaço urbano”, conclui.





