Férias e recesso costumam ser vistos como pausa, mas, para muitas mães de bebês pequenos, viram um período de mais demanda e menos previsibilidade. Com a casa cheia, a rotina bagunçada e a expectativa de recomeçar “do jeito certo”, janeiro pode aumentar ansiedade, irritabilidade e exaustão.
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A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, do Instituto MaterOnline, explica que não é o calendário que provoca a sobrecarga, e sim o contexto do início do ano. O cansaço acumulado, as tarefas que ficam para depois e a pressão para reorganizar tudo de uma vez costumam aumentar a sensação de estar no limite.
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“Mães são pessoas diferentes, com histórias e temperamentos distintos. Algumas conseguem transformar janeiro em ação concreta, outras ficam presas apenas ao planejamento, e há quem nem consiga pensar em metas porque está esgotada”, explica.
Por que o início do ano pesa mais
Segundo a psicóloga, três fatores se combinam com frequência nesta época:
1- Cansaço acumulado do fim de ano
Festas cheias, circulação intensa de familiares, mudanças bruscas de rotina e sobrecarga doméstica aumentam o desgaste físico e emocional.
2- Pressão do “novo começo”
A cultura do recomeço cria um senso de obrigação de resolver tudo de uma vez, da busca por babá e escola à reorganização de trabalho e renda.
3- Expectativas sociais e comparação
As redes sociais reforçam discursos de alta performance, planejamentos meticulosos e rotinas “perfeitas”, incompatíveis com a realidade de mães de bebês pequenos.
“É comum a mulher acreditar que precisa dar conta de tudo já na primeira semana do ano. Quando isso não acontece, surge frustração. Janeiro amplifica tanto a expectativa quanto o contraste com a vida real”, diz a psicóloga.
Sinais de que a carga passou do ponto
Alguns sinais podem indicar que a sobrecarga emocional já ultrapassou o razoável:
- Aumento de ansiedade;
- Irritabilidade persistente;
- Dificuldade para dormir mesmo quando o bebê dorme;
- Sensação de estar “sempre alerta”;
- Choro frequente;
- Dificuldade de planejar ou executar tarefas simples;
- Sensação de inadequação ou fracasso.
O que ajuda na rotina real
Para Rafaela, o foco precisa ser em ações pequenas e viáveis, sem meta grande e sem cobrança extra.
Movimento corporal
Atividades leves regulam emoções e reduzem o estresse. Não é sobre performance, é sobre retomada gradual.
Alimentação mais estável
Depois de semanas desreguladas, refeições equilibradas ajudam na regulação física e emocional.
Apoio psicológico
Para mães de bebês pequenos, iniciar acompanhamento psicológico no início do ano pode reduzir as sobrecargas acumuladas.
“No Janeiro Branco falamos muito sobre saúde mental. Para as mães, a terapia é uma ferramenta de proteção. O simbolismo do novo ciclo não deve virar um peso. O mais importante é reconhecer limites, ajustar expectativas e construir o ano possível, não o ano idealizado”, afirma Rafaela.






